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26.   Calculando a Órbita de Nibiru


  Temos encontrado na Internet artigos que falam sobre problemas com a órbita do hipotético planeta Nibiru, e resolvemos reunir neste ensaio o que pode ser deduzido da obra de Zecharia Sitchin.


Fig. 1 - O sistema solar e Nibiru (órbitas sem escala). Notar que o periélio de Nibiru está no cinturão de asteróides.

  A Terceira Lei de Kepler diz: “O quadrado do período orbital de um planeta é proporcional ao cubo do semi-eixo maior de sua órbita”.

  Daí pode-se deduzir (Referência [12]):

P² = a³

  Sendo:

P = período orbital em anos
a = semi-eixo maior em UA (unidades astronômicas)

  Sendo de 3.600 anos o período orbital de Nibiru segundo Sitchin, temos então:

a = 234,892 UA

  A partir daqui teremos que fazer algumas suposições, para obter mais dados da órbita. Vamos supor dois valores para o periélio Rp (ver figura 2) de Nibiru:

Rp1 = 1 UA (órbita da Terra)
Rp2 = 3,725 UA (cinturão de asteróides)


Fig. 2 - Parâmetros da Elipse

  Seja Ra o afélio, então da Figura 2 podemos escrever:

Ra = a+(a–Rp) = 2a-Rp

  Então:

Ra1 = 468,784 UA
Ra2 = 466,059 UA

  A excentricidade é dada por:

e = (Ra-Rp)/(Ra+Rp)

  Calculando:

e1 = 0,995742
e2 = 0,984142

  São valores altíssimos, que se aproximam de 1, o valor para uma órbita parabólica de escape. Para valores maiores que 1, temos órbitas hiperbólicas, que também são curvas abertas (ver figura 3).


Fig. 3 - Cônicas

  Em qualquer ponto da órbita elíptica, a velocidade instantânea é dada por:

v = [GM (2/d – 1/a)]½

  onde:

G = constante gravitacional universal
M = massa do objeto astronômico no foco da órbita elíptica
d = distância entre os dois objetos
a = semi-eixo maior da órbita elíptica

  Para calcular a velocidade máxima, que acontece no periélio, usaremos:

G = 6,67 / 10¹¹ Nm²/kg²
M = massa do Sol = 1,9891 x 10³º kg
d = periélio
a = 234,892 UA

  Para realizar o cálculo, vamos converter UA em metros:

1 UA = 149.597,871 x 10³ x 10³ m

  Chamando de “k” este valor de conversão, a fórmula de v pode ser reescrita:

v = [(GM/k) (2/d – 1/a)]½

  Substituindo valores:

v1 = 42,07080 km/seg
v2 = 21,73460 km/seg

  A velocidade de escape é dada por:

vesc = (2GM/d)½

  onde:

d = distância ao centro de atração

  Usando d igual às distâncias no periélio temos:

vesc1 = 42,11565 km/seg
vesc2 = 21,82129 km/seg

  Como era de se esperar neste caso de órbitas tão excêntricas, as velocidades no periélio são muito próximas das velocidades de escape.

Periélio (UA) 1 3,725
Afélio (UA) 468,784 466,059
Excentricidade 0,995742 0,984142
Velocidade no periélio (km/seg) 42,07080 21,73460
Velocidade de escape (km/seg) 42,11565 21,82129

  Na Internet encontramos aplicativos que calculam os parâmetros da elipse. O da Referência [6] é bem fácil de usar, e a figura 4 apresenta os resultados obtidos para os dois periélios que escolhemos. Para obter as tabelas, usamos a opção “Distâncias do Periélio e Afélio”.


Figura 4

  A objeção principal feita à existência de Nibiru, com exceção é claro da validade das idéias de Sitchin, se resume na instabilidade de sua órbita, isto é, no afélio a atração solar é muito fraca, e no periélio sua velocidade é muito próxima da velocidade de escape.

  Outra objeção que logo ocorre é quanto à existência de vida no planeta, pois ele passaria um tempo muito curto na zona habitável do Sistema Solar, e depois mergulharia na escuridão e frio. Dificilmente a vida poderia ter evoluído em tais condições. Seguindo esse raciocínio, poderíamos especular que os hipotéticos Anunnakis não eram nativos de Nibiru, mas vieram de outro lugar e lá se instalaram. Mas isso não faz muito sentido, pois no Sistema Solar existem planetas e planetóides com órbitas mais favoráveis.

  Tendo realizado esses cálculos, podemos responder à pergunta: por que a órbita de Nibiru tem de ser tão excêntrica? Ora, simplesmente porque forçamos o seu periélio na região interna do Sistema Solar, e as leis físicas obrigam o resto. Se colocássemos o periélio na órbita de Netuno (30,058 UA), por exemplo, obteríamos uma excentricidade de 0,872035, ainda alta, mas não tão assustadora. Uma órbita tão excêntrica não é impossível: o cometa Hale-Bopp tem uma órbita com período de 2.533 anos, um periélio de 0,914 UA e uma excentricidade de 0,995086. A figura 5 apresenta algumas órbitas de cometas com alta excentricidade. Mas os cometas são objetos de massa reduzida, oriundos do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort, um objeto de dimensões planetárias como seria Nibiru é outra coisa.


Figura 5

  Cálculos simples como esses não esgotam de modo algum o assunto. Em primeiro lugar, como Nibiru teria assumido essa órbita? Seria um planeta errante capturado pelo Sol? Qual o impacto de um corpo de dimensões planetárias invadindo o “miolo” do Sistema Solar a cada 3.600 anos, um tempo curtíssimo em termos astronômicos? Como essa perturbação gravitacional iria afetar os outros planetas? Que marcas esses eventos teriam deixado? No entanto tal estudo vai muito além do nosso conhecimento e meios de computação; uma Universidade teria recursos para tal. Mas isso provavelmente nunca será feito, pois não é o problema fundamental. A obra de Zecharia Sitchin não tem credibilidade no meio científico, suas traduções jamais foram aceitas por especialistas em línguas orientais, e seus textos são considerados fantasia. Esse é o motivo para que o planeta Nibiru seja completamente ignorado por astrônomos, astrofísicos e outros especialistas do meio acadêmico. Nas referências há bastante material sobre a validade do trabalho de Sitchin, e certamente muito mais pode ser encontrado na Internet.

  O parágrafo seguinte foi extraído da Referência [35] e ilustra muito bem o ponto de vista da ciência sobre os mitos:

  “Ancient myths do not have a direct correlation with events in the distant past. Instead, they are complex web of symbolism, religious belief, historical events, and imagination. There may be some distorted truth behind myths (as the discovery of Troy proved for Homer’s Iliad), but they cannot be interpreted as literal accounts of historic happenings. Nor are the myths themselves consistent across time. The myth of Jason and the Golden Fleece, for example, shows significant changes to major events between its earliest recorded forms and the best-known version, written by Apollonius of Rhodes many centuries later. In the earliest forms of the myth, it is unclear whether the Golden Fleece was even present—a far cry from those like Robert Temple or Erich von Däniken who assumed that one version of the myth stood for all, could be considered definitive, and could be interpreted literally as evidence of alien intervention. Mythology must be seen in its cultural context, and any interpretation must account for changes, distortions, and mutations that accrue over time as oral stories are retold, come into contact with stories from other cultures and lands, and eventually take on a written form. This is not unlike the contradictory variants of Mythos legends found in Lovecraft’s own stories.

  A conclusão mais simples e direta de impossibilidades da órbita de Nibiru, é que Sitchin ao inventá-lo com o seu longo período orbital, esqueceu-se da existência de leis físicas que controlam ferreamente os movimentos dos objetos astronômicos, desde as galáxias até aos menores asteróides e à poeira interestelar. Deste modo, para adentrar a região interna do Sistema Solar, a órbita pode atingir o limite de estabilidade.

Nota 1 : A figura 6 mostra a página de abertura do site www.sitchin.com em 26/06/2018. Nela aparece uma imagem do selo cilíndrico VA-243, que Sitchin afirmou mostrar o planeta Nibiru orbitando o Sol junto com dez outros objetos (ver destaque em vermelho). Na Referência [22] há uma elaborada refutação desta interpretação pelo Dr. Michael S. Heiser (e aqui). Isso sem falar que aquele povo não dispunha de telescópios para fazer suas observações astronômicas, de modo que só conheciam mesmo cinco objetos no Sistema Solar além do Sol, Terra e Lua: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

Figura 6

No site em Junho/2018

. Referências

[1] Kepler's laws of planetary motion (en.wikipedia.org/wiki/Kepler's_laws_of_planetary_motion)

[2] Kepler's Laws and Newton's Laws (www.mtholyoke.edu/courses/mdyar/ast223/orbits/orb_lect.html)

[3] Elliptic orbit (en.wikipedia.org/wiki/Elliptic_orbit)

[4] Orbital eccentricity (en.wikipedia.org/wiki/Orbital_eccentricity)

[5] Semi-major and semi-minor axes (en.wikipedia.org/wiki/Semi-major_and_semi-minor_axes)

[6] Ellipse Calculator (www.1728.org/ellipse.htm)

[7] How to Calculate the Period of an Orbit (sciencing.com/calculate-period-orbit-5840979.html)

[8] Simulator 3D (positions of the planets) (www.astronoo.com/en/articles/positions-of-the-planets.html)

[9] Newton e as Generalizações das Leis de Kepler - Gravitação (www.if.ufrgs.br/fis02001/aulas/Aula7-122.pdf)

[10] Physical Interpretation of Kepler's Laws (web.njit.edu/~gary/320/Lecture6.html)

[11] Orbital velocity (www.vanderbilt.edu/AnS/physics/astrocourses/ast201/orbitalvelocity.html)

[12] Orbits (www.astronomynotes.com/gravappl/s8.htm)

[13] Earth Fact Sheet (nssdc.gsfc.nasa.gov/planetary/factsheet/earthfact.html)

[14] Comet Hale–Bopp (en.wikipedia.org/wiki/Comet_Hale%E2%80%93Bopp)

[15] Nibiru, Kepler, and some basics on orbits (www.vofoundation.org/blog/nibiru-kepler-basics-orbits/)

[16] Kepler's Laws of Planetary Motion (www.astronomynotes.com/history/s7.htm)

[17] Determining Planet Properties (www.astronomynotes.com/solarsys/s2.htm)

[18] Zecharia Sitchin Translations and Interpretations (en.wikipedia.org/wiki/Zecharia_Sitchin#Translations_and_interpretations)

[19] Zecharia Sitchin and The Earth Chronicles (skepdic.com/sitchin.html)

[20] Sitchin is Wrong (www.sitchiniswrong.com/nibiru/nibiru.htm)

[21] The Myth of a Sumerian 12º Planet: “Nibiru” According to the Cuneiform Sources (www.sitchiniswrong.com/nibirunew.pdf)

[22] Myth of a 12º Planet: A Brief Analysis of Cylinder Seal VA 243 (www.sitchiniswrong.com/VA243seal.pdf)

[23] Zecharia Sitchin's World (jcolavito.tripod.com/lostcivilizations/id14.html)

[24] Sitchin's Twelfth Planet (skepdic.com/essays/sitchin.htm)

[25] Nibiru Cycle (www.halexandria.org/dward238.htm)

[26] Nibiru's impossible orbit (http://www.cosmophobia.org/nibiru/#toc5)

[27] Nibiru – A Saga Continua (www.astropt.org/2012/04/29/nibiru-a-saga-continua/)

[28] Planet Nibiru is not real (earthsky.org/space/planet-nibiru-is-not-real)

[29] Nibiru; The Myth (futurism.com/nibiru-the-myth/)

[30] The Planet X Saga: Science (www.badastronomy.com/bad/misc/planetx/science.html)

[31] The Planet X Saga: Orbital Math (www.badastronomy.com/bad/misc/planetx/orbitmath.html)

[32] The Planet X Saga: The Scientific Arguments in a Nutshell (www.badastronomy.com/bad/misc/planetx/nutshell.html#sumerians)

[33] 2012: o Planeta X não é Nibiru (www.astropt.org/2012/12/17/2012-o-planeta-x-nao-e-nibiru/)

[34] Constraining the Orbits of Planet X and Nemesis (www.universetoday.com/29083/constraining-the-orbits-of-planet-x-and-nemesis/)

[35] The Origins of the Space Gods (www.bahaistudies.net/asma/The-Origins-of-the-Space-Gods.pdf)

[36] O que é Pseudociência? (Vídeo) (www.youtube.com/watch?v=_olYYmL7WHA)



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