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939.   Não Olhe Para Cima !

Leões marsupiais há 50.000 anos emboscavam presas do tamanho de rinocerontes,
subindo em árvores e saltando



  Eles já foram os maiores e mais formidáveis predadores a viver na Austrália, mas uma extinta espécie gigante de leão marsupial também tinha um truque na manga quando caçava – eles podiam escalar.

  Milhares de marcas de garra dentro de uma caverna no sudoeste da Austrália sugeriram que estas ferozes criaturas podiam emboscar suas presas pulando sobre elas de árvores.

  Apesar do tamanho de leões africanos, os Thylacoleo carnifex eram hábeis escaladores e poderiam ter sido uma das maiores ameaças aos humanos quando eles chegaram ao continente 50.000 anos atrás.

  Pesando mais de 220 libras (100 quilos), supõe-se que os animais atacavam grandes herbívoros, incluindo o Diprotodon optatum do tamanho de um rinoceronte.

  Mas exatamente como esses leões caçavam, capturavam e matavam suas presas tem sido grandemente debatido desde que seus restos fossilizados foram descobertos pela primeira vez em meados do século XIX.

  Alguns afirmaram que as criaturas caçavam em bando, enquanto outros disseram que elas tendiam a comer carcaças ou mesmo ovos de pássaros ao invés de caçar ativamente outros animais.

  Agora paleontologistas que estudaram uma imensa caverna conhecida como “Tight Entrance Cave” (Caverna com Entrada Apertada), perto de Witchcliffe no sudoeste da Austrália, acreditam que finalmente encontraram a resposta.

  Eles descobriram as paredes calcárias incrustadas de lama cobertas por arranhões deixados pelos leões marsupiais junto com outras criaturas extintas do Pleistoceno.

  Indo de menos de uma polegada (2,5 cm) até seis polegadas (15 cm) de comprimento, as marcas mostram que os leões foram hábeis escaladores, capazes de subir por paredes íngremes e sobre pedregulhos irregulares.

  Isto sugere que os animais podem ter caçado subindo em árvores e caindo sobre sua presa, muito semelhante aos modernos leopardos.

  Escrevendo no periódico Scientific Reports, o Dr. Gavin Prideaux e Sam Arman, paleontologistas da Universidade Flinders na Austrália que conduziram o estudo, disseram que as marcas de garras parecem ter se acumulado ao longo de um período de 90.000 anos.

  Os leões parecem ter habitado por último a caverna 51.000 anos atrás, disseram eles.

  “Muitas marcas de garras dentro da caverna Tight Entrance estão localizadas sobre superfícies íngremes, apesar de inclinações mais suaves estarem disponíveis em outros lugares da pilha central de rochas e pedregulhos.”

  “Isto sugere escaladas regulares, confiantes e intencionais com um alto grau de agilidade.”

  “Esta distribuição reforça o argumento, baseado na morfologia do esqueleto, de que o Thylacoleo carnifex podia escalar árvores.”

  “Isto apesar do seu grande tamanho e construção “tipo urso”, que tem sido usado para argumentar contra a adaptação arbórea.”

  O Thylacoleo carnifex também pode ter usado uma das suas grandes garras especificamente para escalar, porque arranhões de garras mais ao nível do solo parecem ter somente quatro marcas de garras.

  Esta descoberta sugere que ele erguia esta garra quando caminhando no solo e a usava quando lutando com a presa ou escalando árvores.

  Os pesquisadores também encontraram evidências que sugerem que os leões arrancavam a carne dos ossos das suas presas com poderosas mandíbulas.

  As criaturas tinham dentes afiados parecidos com cinzéis na frente de suas mandíbulas, que poderiam estar bem adaptados para isso. Nenhum dos 10.000 ossos que eles examinaram tinha marcas de mordida dos leões sobre eles.

  Marcas menores de arranhões parecem também ter sido deixadas por jovens leões, sugerindo que os predadores usavam as cavernas como tocas onde criavam seus filhotes.

  Embora os primeiros restos do Thylacoleo carnifex tenham sido descobertos em torno de 1830 e a espécie tenha sido descrita em 1859, somente em 2002 foi descoberto um esqueleto completo.

  Oito esqueletos completos foram descobertos em uma caverna calcaria sob a planície Nullarbor ao sul da Austrália.

  Na época isso levou a sugestões de que os animais haviam caído através de uma abertura e tinham morrido de fome.

  Entretanto, as novas descobertas pelo Dr. Prideaux e Sr. Arman sugerem que os leões podem ter usado a caverna como toca, o que explicaria porque tantos dos seus restos foram ali encontrados.

  Os especialistas disseram que faria sentido para os predadores usarem cavernas como toca para seus filhotes porque caçar com eles em suas bolsas marsupiais atrapalharia sua capacidade de capturar presas.

  “Leões marsupiais, como todos os marsupiais, teriam dado nascimento a filhotes extremamente não desenvolvidos que não poderiam ser deixados sozinhos até se tornarem ao menos parcialmente desmamados”, escreveu a dupla.

  “Carregar na bolsa filhotes mais crescidos enquanto caçando provavelmente prejudicava a eficiência predatória ou a faixa de tamanho das presas.”

  “Mesmo sem invocar as dificuldades envolvidas em carregar filhotes na bolsa, o mero acompanhamento por filhotes tem acarretado 16 por cento de falha nas caçadas dos chitas."

  “Tal como numerosos carnívoros ainda existentes, os leões marsupiais adultos provavelmente deixavam os filhotes no abrigo da caverna enquanto saiam para caçar antes de retornar trazendo comida e descansar.”

  Finalmente, os pesquisadores disseram que suas descobertas sugerem que os leões podem ter sido bem capazes de caçar em bandos porque eles viviam em pequenos grupos familiares dentro das cavernas.

  O Dr. Prideaux disse ao MailOnline : “Isso produzia um grau de comportamento social que pode ser consistente com caça colaborativa.”

  Escrevendo no periódico os pesquisadores acrescentaram : “Dado que os leões marsupiais foram aparentemente adaptados para capturar e consumir grandes presas e potencialmente sociais, é possível que, como todos os mamíferos predadores existentes que vivem em grupo, eles fossem caçadores cooperativos.”

  “Assim como a massa corporal, a vida e a caça em grupo são vistas como co-adaptações para conseguir grandes presas, então é provável que leões marsupiais fossem caçadores em grupo.”

  “Tal estratégia lhes teria permitido capturar mesmo os maiores marsupiais, os Diprotodon optatum do porte de um rinoceronte, ossos dos quais foram encontrados com marcas incidentais dos dentes do leão marsupial.”

  Supõe-se que os leões marsupiais dominaram o continente australiano como predadores do topo da cadeia alimentar até a chegada dos humanos 50.000 anos atrás.

  Se as criaturas usaram árvores para ajudá-las a caçar, isto pode também fornecer pistas sobre o que levou ao seu fracasso.

  Supõe-se que os animais se extinguiram cerca de 46.000 anos atrás, depois que muitas das árvores que cobriam a paisagem foram destruídas pela seca e pelo fogo.

  Entretanto, o Dr. Prideaux disse que os humanos devem ter também a sua parcela de responsabilidade no extermínio das criaturas.

  Ele disse : “O balanço atual de evidências sugere que a caça por humanos foi a causa primária da extinção da mega-fauna da Austrália.”

Fonte : Daily Mail, 17/02/2016

Autor : Richard Gray



O leão marsupial, Thylacoleo carnifex (foto do esqueleto), pesava até 220 libras (100 quilos) e era do tamanho de um leão africano. Mas uma nova pesquisa mostrou que os animais eram também hábeis escaladores e podem ter usado isso para ajudá-los a apanhar presas pulando sobre elas das árvores, muito semelhante aos modernos leopardos

Gravadas na lama incrustada e calcário estão milhares de arranhões e marcas de garras (fotos), que os pesquisadores dizem ter sido deixadas por leões marsupiais e seus filhotes. Muitas das marcas estão em paredes íngremes e terreno difícil, sugerindo que os animais eram capazes de escalar, fornecendo pistas sobre como eles caçavam
Nota : As barras verdes de escala representam 10 centímetros de comprimento

Os cientistas descobriram milhares de marcas de garras na caverna conhecida como “Tight Entrance Cave” (Caverna com Entrada Apertada), perto de Witchcliffe no sudoeste da Austrália (na ilustração)

O leão marsupial gigante (ilustração com concepção artística)

O leão marsupial gigante (ilustração com concepção artística)

Os pesquisadores examinaram milhares de marcas de garras e arranhões e as compararam com aquelas feitas por outros animais. Eles descobriram que os grandes leões marsupiais deixaram marcas distintas (na ilustração)



Veja o artigo no Scientific Reports :

Behaviour of the Pleistocene marsupial lion deduced from claw marks in a southwestern Australian cave (15/02/2016)

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