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955.   Os Vikings Usaram “Pedras Solares” de Cristal Para Descobrir a América ?


  Registros antigos nos dizem que os intrépidos vikings, viajantes dos mares, que descobriram a Islândia, Groenlândia e eventualmente a América do Norte navegavam usando pontos de referência em terra, pássaros e baleias, e pouco mais.

  Há pouca dúvida de que os marinheiros vikings também teriam usado as posições das estrelas à noite e do Sol durante o dia, e arqueologistas descobriram o que parece ser um tipo de relógio de Sol viking para navegação.

  Mas sem bússolas magnéticas, como todos os antigos marinheiros eles teriam lutado para encontrar seu caminho uma vez que as nuvens chegassem.

  Entretanto, há também vários relatos nas sagas nórdicas e outras fontes de uma "pedra solar" (sólarsteinn).

  A literatura não diz para que isto foi usado, mas provocou décadas de pesquisa para examinar se poderia ser uma referência para uma ferramenta de navegação mais intrigante.

  A idéia é que os vikings podem ter usado a interação entre a luz solar com tipos particulares de cristal para criar ajuda navegacional que pode ter funcionado mesmo em condições de tempo nublado.

  Isto significaria que os vikings descobriram os princípios básicos da medição de luz polarizada séculos antes que isso fosse explicado cientificamente e surgissem aplicações como identificar e medir diferentes substâncias.

  Os cientistas estão agora chegando perto de estabelecer se esta forma de navegação teria sido possível, ou se é apenas uma imaginativa teoria.

  Para entender como isto pode ter funcionado, precisamos entender algumas coisas sobre como a luz, e particularmente a luz do Sol, pode ser afetada.

  A luz vinda do Sol é espalhada e polarizada pela atmosfera.

  Isto ocorre quando a luz é absorvida e re-emitida com a mesma energia por moléculas do ar e em diferentes quantidades dependendo do comprimento de onda da luz.

  O azul do espectro da luz é espalhado mais do que o vermelho, como explicado pela teoria desenvolvida pelo físico inglês Lord Rayleigh no século XIX.

  O espalhamento por partículas na atmosfera explica porque o céu aparece azul.

  Mais importante, ondas de luz espalhada também são polarizadas em uma certa extensão.

  Isto significa que elas vibram em um plano ao invés de em todas as direções ao mesmo tempo.

  O grau de polarização que um raio de luz solar assume depende do seu ângulo em relação ao observador e se a luz foi espalhada por nuvens e outras partículas que causam despolarização.

  Ao longo da linha costeira da Noruega e Islândia são encontrados blocos de carbonato de cálcio conhecido como calcita ou "Iceland spar".

  Quando luz do Sol polarizada entra em um cristal de calcita, alguma coisa muito interessante acontece.

  Calcita é fortemente birrefringente, significando que ela divide a luz que a atravessa em dois feixes diferentes que são curvados ou refratados em direções diferentes e com diferentes intensidades, embora a intensidade total seja constante.

  Isto significa que objetos vistos através de um cristal de calcita aparecem duplicados.

  Mais importante para nossos propósitos, as diferentes intensidades dos dois feixes de luz dependem de como a luz original está polarizada e a posição e orientação do cristal comparado à fonte de luz.

  Turmalina e cordierita são cristais com propriedades similares, exceto que ao invés de dividir a luz como a calcita eles são fortemente dicróicos (e aqui).

  Isto significa que eles absorvem um componente da polarização mais fortemente do que o outro. Novamente, as propriedades dicróicas dependem de como a luz original está polarizada e da posição e orientação do cristal comparado à fonte de luz.

  Então, pelo menos em teoria, examinando como a luz solar passa através de um destes cristais – e apropriadamente calibrado – ele poderia ser usado como um guia por marinheiros para estimar a posição do Sol. Isto poderia então lhes permitir determinar a direção do norte geográfico – mesmo sem o entendimento dos princípios científicos por trás deste fenômeno.

  Se fizermos a ousada suposição de que os vikings tinham estes cristais a bordo de seus navios e, mais importante, sabiam o que estavam fazendo com eles, a questão é se a diferença de luz seria detectável por seus olhos ?

  E se seria detectável com precisão bastante (devido a erros causados por imperfeições nos cristais e despolarização), para serem usados como ajuda navegacional mesmo em condições de céu nublado.

  A última de um impressionante rol de publicações sobre o assunto apareceu recentemente na Ciência Aberta da Sociedade Real, visando esclarecer esta precisa questão.

  Gabor Horvath e seus colegas pesquisaram se os sinais óticos destes três tipos de cristal seriam fortes o suficiente para serem detectados e com precisão bastante para predizer a posição do Sol sob um céu nublado.

  Para conseguir isso, eles simularam as condições, incluindo a posição do Sol, de uma viagem viking entre Noruega, sul da Groenlândia e Terra Nova.

  Eles descobriram que em céus claros, onde o grau de polarização era alto, todos os três cristais filtraram sinal suficiente e com boa precisão.

  Em condições nubladas claras onde o grau de polarização foi de algum modo reduzido mas ainda era relativamente alto, a cordierita e a turmalina funcionaram melhor que a calcita.

  Somente calcita muito pura (com imperfeições óticas removidas) teve um desempenho similar ao dos outros dois cristais. Se a polarização da luz solar era muito baixa, a calcita pareceu fornecer os melhores resultados na localização da posição do Sol através das nuvens.

  E em condições nubladas muito severas ou fog, os erros de medição se tornaram altos demais para todos os três cristais.

  A equipe de Horvath está agora pesquisando os erros na etapa seguinte de localizar a posição do norte geográfico usando esta informação.

  Se o método não funciona sob condições nubladas de tempo quando usando o tipo de cristais imperfeitos que os vikings teriam provavelmente possuído, toda a teoria está provavelmente errada. E em dias claros teria sido mais fácil usar apenas relógios de Sol calibrados.

  Mas se os pesquisadores estabelecerem que as pedras solares poderiam ter sido usadas com precisão para determinar a direção do norte geográfico, então a idéia parece praticável.

  Então tudo o que restará para finalmente provar esta fascinante teoria será encontrar um navio viking com uma pedra solar calibrada nele. Isto, entretanto, pode levar algum tempo.

EVIDÊNCIA DE PEDRAS SOLARES NAS ANTIGAS LENDAS ISLANDESAS

  Uma lenda islandesa sobre as viagens de rei norueguês Olaf no século XI refere-se a pedras solares.

  Em um dia de inverno Olaf encontrou o filho de um fazendeiro, chamado Sigurour, que se gabou de que ele podia sentir a posição do Sol mesmo em um dia com neve.

  A história descreve como a companhia reunida olhou para fora da janela, mas “não pôde ver em lugar nenhum um céu claro”. Depois de pedir a Sigurour para dizer-lhe onde estava o Sol, o rei ordenou a seus subordinados que fossem buscar “a pedra solar” para testar as afirmativas do jovem.

  “Ele manteve-a levantada e viu onde a luz irradiava da pedra e deste modo verificou diretamente a predição de Sigurour.”

Fonte : Daily Mail, 01/02/2016

Autor : Stephen Harding



Registros antigos nos dizem que os intrépidos vikings, viajantes dos mares, que descobriram a Islândia, Groenlândia e eventualmente a América do Norte navegavam usando pontos de referência em terra, pássaros e baleias, e pouco mais. Mas sem bússolas magnéticas, como todos os antigos marinheiros eles teriam lutado para encontrar seu caminho uma vez que as nuvens chegassem

O grau de polarização que um raio de luz solar assume depende do seu ângulo em relação ao observador e se a luz foi espalhada por nuvens e outras partículas que causam despolarização. Ao longo da linha costeira da Noruega e Islândia são encontrados blocos de carbonato de cálcio conhecido como calcita ou “Iceland spar”.

Gabor Horvath e seus colegas pesquisaram se os sinais óticos destes três tipos de cristal seriam fortes o suficiente para serem detectados e com precisão bastante para predizer a posição do Sol sob um céu nublado



Veja também :

Adjustment errors of sunstones in the first step of sky-polarimetric Viking navigation: studies with dichroic cordierite/ tourmaline and birefringent calcite crystals (20/01/2016)

Did the Vikings use crystal ‘sunstones’ to discover America? (29/01/2016)

Did Vikings navigate by polarized light? (31/01/2016)

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