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957.   Momentos Finais da Venus Express Reescrevem o Que Sabemos Sobre o Planeta

A sonda revela que os pólos são mais frios do que qualquer lugar da Terra
e cobertos por “ondas atmosféricas”



  É uma triste realidade que algumas espaçonaves como o módulo de pouso Philae da NASA não durem tanto quando deveriam, enquanto outras como a Venus Express da ESA continuem a nos surpreender.

  Como parte de seu recente canto do cisne, enquanto a sonda mergulhava em direção ao planeta, a Express reuniu nova e inesperada informação sobre a atmosfera polar do planeta.

  Estes dados foram agora estudados e revelam que os pólos são mais frios do que qualquer lugar na Terra. Eles também são cobertos com agitadas ondas atmosféricas.

  A Venus Express chegou a Venus em 2006.

  Ela levou oito anos orbitando o planeta, excedendo grandemente o tempo de 500 dias de duração planejada para a missão, antes de ficar sem combustível.

  A sonda então começou a descer na atmosfera de Venus, antes da perda de contato da missão com a Terra em novembro de 2014 e que terminou oficialmente no mês seguinte.

  Antes que ela mergulhasse na atmosfera do planeta, as medições da sonda mostraram que ela estava sendo sacudida por ondas atmosféricas, e uma temperatura média de -157°C (114K), mais fria que qualquer lugar na Terra.

  Estas recentes observações mostram que a atmosfera do planeta é muito mais interessante do que primeiro se imaginava.

  Durante os meses finais de sua missão, a Venus Express orbitou o planeta baixo o suficiente para medir o arrasto causado pela atmosfera.

  Nosso conhecimento prévio da atmosfera polar de Venus era baseado em observações reunidas pela sonda venusiana Pionner da NASA no fim dos anos 1970.

  Eram observações de outras partes da atmosfera de Venus, perto do equador, mas extrapoladas para os pólos para formar um modelo atmosférico completo de referência.

  Estas novas medições, obtidas como parte do Experimento de Arrasto Atmosférico da Venus Express (VExADE) de 24 de junho a 11 de julho de 2014, agora testaram diretamente este modelo – e revelaram várias surpresas.

  A atmosfera polar é 70 graus mais fria do que esperado, com uma temperatura média de -157°C (114K).

  Usando acelerômetros a bordo, a espaçonave mediu a desaceleração que ela experimentou enquanto abria caminho através da atmosfera superior do planeta, algo conhecido como “aerofrenagem”.

  “A aerofrenagem usa o arrasto da atmosfera para diminuir a velocidade de uma espaçonave, deste modo somos capazes de usar medições dos acelerômetros para explorar a densidade da atmosfera de Venus”, disse o Dr. Ingo Müller-Wodarg do Colégio Imperial de Londres, Inglaterra, autor principal do estudo.

  “Nenhum dos instrumentos da Venus Express foi projetado realmente para fazer tais observações atmosféricas in-situ. Só percebemos em 2006, após o lançamento, que poderíamos usar a espaçonave Venus Express como um todo para fazer mais ciência.”

  Quando o Dr. Müller-Wodarg e colegas reuniram suas observações, a Venus Express estava orbitando a uma altitude entre 81 e 87 milhas (130 a 140 km) perto das regiões polares de Venus, em uma parte da atmosfera de Venus que nunca tinha sido estudada antes.

  A atmosfera polar não é tão densa quanto esperado.

  A 81 e 87 milhas (130 e 140 km) de altitude, ela é 22 por cento e 40 por cento menos densa do que previsto, respectivamente.

  Estas diferenças são consistentes com medições que foram obtidas anteriormente a 112 milhas (180 km), onde descobriu-se que as densidades eram menores por um fator de quase 2.

  “Isso está de acordo com nossas descobertas sobre as temperaturas, e mostra que o modelo existente pinta uma imagem por demais simplista da atmosfera superior de Venus”, disse o Dr. Müller-Wodarg.

  “Estas densidades mais baixas poderiam ser pelo menos parcialmente devidas a vórtices polares em Venus, que são fortes sistemas de ventos existentes perto dos pólos do planeta. Ventos atmosféricos podem estar fazendo a estrutura das densidades mais complicada e mais interessante!”

  Descobriu-se também que a região polar é dominada por fortes ondas atmosféricas. Supõe-se que este fenômeno é vital na modelagem das atmosferas planetárias, incluindo a nossa própria.

  “Pelo estudo de como as densidades atmosféricas mudaram e foram perturbadas ao longo do tempo, descobrimos dois tipos diferentes de onda : ondas gravitacionais atmosféricas e ondas planetárias”, disse o co-autor Dr. Sean Bruinsma do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), França.

  “Estas ondas são complicadas para se estudar, já que você precisa estar dentro da própria atmosfera do planeta para medi-las apropriadamente. Observações à distância não podem nos dizer muita coisa.”

  “Descobrimos que ondas atmosféricas gravitacionais são dominantes na atmosfera polar de Venus”, disse o Dr. Bruinsma.

  “A Venus Express experimentou-as como um tipo de turbulência, um pouco como as vibrações que você sente quando um aeroplano voa através de uma área turbulenta.”

  “Se nós voássemos através da atmosfera de Venus àquelas altitudes, não as sentiríamos porque a atmosfera não é densa o bastante, mas os instrumentos da Venus Express eram sensíveis o suficiente para detectá-las.”

  O Orbitador Traçador de Gás ExoMars da ESA, que foi lançado anteriormente este ano, usará uma técnica similar.

  “Durante esta atividade nós obteremos dados similares sobre a atmosfera de Marte como fizemos em Venus”, disse o Dr. Håkan Svedhem, cientista de projeto das missões ExoMars 2016 e Venus Express da ESA.

  “Para Marte, a fase de aerofrenagem deverá demorar mais do que em Venus, cerca de um ano, deste modo obteremos um completo conjunto de dados sobre as densidades atmosféricas de Marte e como elas variam com as estações e distância do Sol”, disse o Dr. Svedhem.

  “Esta informação não é apenas relevante para os cientistas; é crucial para propósitos de engenharia também.”

  “O estudo de Venus foi um teste altamente bem sucedido de uma técnica que pode agora ser aplicada a Marte em maior escala – e em futuras missões depois dela.”

ONDAS ATMOSFÉRICAS GRAVITACIONAIS

  Ondas atmosféricas gravitacionais são similares às ondas que vemos no oceano, ou quando jogando pedras em um lago, somente que elas viajam verticalmente em vez de horizontalmente.

  Elas são essencialmente uma ondulação na densidade de uma atmosfera planetária – elas viajam das altitudes mais baixas para as mais altas e, conforme a densidade diminui com a altitude, se tornam mais fortes conforme ascendem.

  O segundo tipo, ondas planetárias, é associado com a rotação do planeta em torno de seu eixo.

  Estas são ondas em escala maior com períodos de vários dias.

  Experimentamos ambos os tipos na Terra. Ondas atmosféricas gravitacionais interferem com o clima e causam turbulência, enquanto ondas planetárias podem afetar sistemas inteiros de clima e pressão.

  Ambos os tipos são conhecidos por transferir energia e momentum de uma região para outra, deste modo provavelmente influenciando enormemente a modelagem das características de uma atmosfera planetária.

Fonte : Daily Mail, 25/04/2016

Autor : Abigail Beall



Dados reunidos pela Venus Express em seus últimos poucos meses revelaram nova informação sobre a atmosfera de Venus (na imagem), mostrando que ela é mais interessante do que se pensara

A Venus Express chegou a Venus em 2006 (a imagem mostra uma representação artística). Ela levou oito anos orbitando o planeta, excedendo grandemente o tempo de 500 dias de duração planejada para a missão, antes de ficar sem combustível, começando então a descer na atmosfera de Venus, antes da perda de contato da missão com a Terra

Usando acelerômetros a bordo, a espaçonave mediu a desaceleração que ela experimentou enquanto abria caminho através da atmosfera superior do planeta, algo conhecido como “aerofrenagem”. A imagem mostra a Venus Express durante a manobra de aerofrenagem

Esta figura mostra a densidade da atmosfera de Venus nas regiões polares do norte em altitudes de 81 a 118 milhas (130 a 190 km)

Este quadro mostra uma visualização de dados brutos do experimento VExADE, realizado de 24 de junho a 11 de julho de 2014, a altitudes de 81 até 88 milhas (130 a 141 km) na atmosfera de Venus. As linhas pretas mostram 16 das 18 trajetórias orbitais da espaçonave. O fundo cinza é um mapa das ondas atmosféricas gravitacionais



Veja também :

EXPERIÊNCIA FINAL DA VENUS EXPRESS LANÇA LUZ SOBRE ATMOSFERA POLAR DE VÉNUS (22/04/2016)

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