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966.   Islândia Começa Experimento Radical Para Produzir
Energia Geotérmica do Magma



  Se bem sucedido, o projeto experimental poderia produzir 10 vezes mais energia do que a existente em um poço de petróleo ou gás, gerando eletricidade a partir do calor armazenado no interior da Terra: neste caso, áreas vulcânicas.

  Iniciado em agosto do ano passado, a perfuração foi completada em 25 de janeiro, alcançando uma profundidade recorde de 4.659 metros (aproximadamente 3 milhas).

  Nesta profundidade, os engenheiros esperam acessar líquidos quentes sob extrema pressão e uma temperatura de 427 graus centígrados (800 F), criando vapor que irá acionar uma turbina para gerar eletricidade limpa.

  A decisão da Islândia de aproveitar o calor do interior da Terra em um processo conhecido como energia geotérmica data dos anos 1970 e a crise do petróleo.

  Mas a nova fonte geotérmica promete gerar muito mais energia, porque o extremo calor e pressão naquela profundidade faz a água tomar a forma de um fluido “supercrítico”, que não é gás nem líquido.

  “Esperamos conseguir 5 a 10 vezes mais energia deste poço do que de um poço convencional de hoje”, disse Albert Albertsson, um engenheiro da companhia de energia islandesa HS Orka, envolvida no projeto de perfuração.

  Para fornecer eletricidade e água quente para uma cidade como Reykjavik com 212.000 habitantes, “precisaríamos de 30 a 35 poços de alta temperatura convencionais, comparados com apenas 3 ou 5 poços supercríticos”, diz Albertsson.

  E o custo seria muito menor.

  Os cientistas e a equipe que trabalham no projeto de perfuração “Thor” têm dois anos para determinar seu sucesso e a viabilidade econômica do experimento, que é chamado Projeto de Perfuração Profunda da Islândia (IDDP = Iceland Deep Drilling Project).

  Situado não distante da Lagoa Azul, cujas águas azuis que desprendem vapor atraíram mais de um milhão de turistas ano passado, o IDDP tem vista para crateras formadas pela última erupção vulcânica 700 anos atrás que cobriu esta parte da península Reykjanes com um mar de lava.

  Uma nação nórdica em uma ilha, rica em geisers com fontes de jatos de água e vapor, fontes quentes, e vulcões de tirar o fôlego, a Islândia é atualmente o único país do mundo com 100% de energia renovável.

  A energia geotérmica responde por 25 por cento, enquanto o restante vem de usinas hidroelétricas.

  Mas a Islândia é um modelo de energia limpa?

  A resposta é complexa, de acordo com Martin Norman, especialista norueguês de recursos sustentáveis do Greenpeace.

  “Embora a energia geotérmica ainda seja preferível ao gás, carvão e petróleo, ela não é completamente renovável e sem problemas”, disse ele.

  “Tão logo você começa a perfurar você provoca emissões, tais como poluição por enxofre e emissão de CO2 e eles precisam encontrar soluções para lidar com isso”, acrescentou ele.

  Albertsson concordou mas disse que emissões geotérmicas eram somente “uma fração” comparadas com aquelas produzidas por petróleo e gás natural. Ele acrescentou que métodos de reciclagem estão progredindo rapidamente.

  A Islândia se orgulha de estar na vanguarda da energia renovável, “ainda que esteja longe de alcançar os objetivos internacionais em termos de redução de emissões de gases do efeito estufa”, disse Norman.

  O Instituto de Estudos Econômicos da Universidade da Islândia declarou em um relatório de fevereiro que o país não será capaz de cumprir o acordo de mudanças climáticas COP21 assinado em Paris em 2015.

  As emissões de gás de efeito estufa estão aumentando em todos os setores da economia, exceto na pesca e agricultura, ele declarou.

  E foi previsto que elas aumentarão entre 53 e 99 por cento por volta de 2030 em relação aos níveis de 1999, um grito distante da nação ilha sobre o acordo de cúpula COP21 para cortar a poluição por carbono em 40 por cento comparado a este desempenho.

  As indústrias pesadas de alto consumo de energia – alumínio, silício – e o turismo florescente são algumas das causas.

  A terra de gelo e fogo, com uma população de 338.000 pessoas, espera dar as boas vindas a mais de dois milhões de visitantes estrangeiros este ano.

  Com o pouso freqüente de aviões fretados, ônibus vagando pelo interior do país, potentes veículos 4x4 percorrendo a paisagem de lava negra e hotéis brotando na capital, o crescente volume de turistas está cobrando um tributo do meio ambiente da Islândia.

  Norman, do Greenpeace, teme que a capital se transforme em uma “Costa Del Reykjavik” devido à atração pelos lucros a serem obtidos e resulte nos islandeses perdendo a natureza única do país.

  Em uma entrevista com a AFP, a Ministra do Meio Ambiente da Islândia, Bjort Olafsdottir, disse que ela espera que seu país encontre a política que alcance os objetivos do COP21.

  “Se não fizermos nada, se não tomarmos medidas fortes, não alcançaremos os objetivos do acordo de Paris. Mas este não é o plano”, disse ela.

  O governo atual dobrou as taxas sobre emissões de CO2 e incentivos financeiros para que indústrias poluidoras sejam removidas”, argumentou ela.

  “É a primeira, provavelmente não é o bastante. Temos que fazer isso com a ajuda da indústria”, disse ela.

  O objetivo de longo prazo da Islândia é reduzir a dependência do país em hidrocarbonetos, adotando-se o uso de carros elétricos somente.

  O projeto está sendo coordenado pelo Grupo de Pesquisa Geotérmica da Islândia (GEORG) e da Pesquisa Geológica Britânica, com a participação de 38 institutos e companhias de 11 países incluindo os Estados Unidos, Canadá e Rússia.

  A produção de energia geotérmica a partir do magma permitirá à Islândia exportar mais energia e poderia também reviver um plano de construir um cabo da Islândia até a Grã-Bretanha para fornecer energia aos lares britânicos, naquela que seria a mais longa interconexão de energia do mundo.

  Um acordo feito ano passado previa um estudo para a construção do cabo IceLink de 1.000 quilômetros, que forneceria energia para 1,6 milhões de lares britânicos.

  Estes planos foram adiados devido à decisão britânica de deixar a União Européia e preocupação na Islândia de que a exportação aumentaria os preços da energia no país e reduziria a atratividade para as indústrias de uso intensivo de energia tais como os centros de processamento de dados.

  A Rede Nacional Britânica continua a se interessar por uma conexão com a Islândia, disse uma porta-voz.

  Ela disse que estava confiante de assegurar o financiamento, pois vários países e companhias expressaram interesse em contribuir, mas não deu detalhes.

Fonte : Daily Mail, 05/05/2017

Autor : Mark Prigg, Afp, Reuters Reporters



O IDDP tem vista para crateras formadas pela última erupção vulcânica 700 anos atrás que cobriu esta parte da península Reykjanes com um mar de lava

A paisagem lunar da península também atraiu missões de treinamento da NASA em 1965 e 1967, objetivando preparar astronautas para paisagens desconhecidas que eles poderiam encontrar na Lua

Para alcançar o magma, o Thor está perfurando 3 milhas (4,8 km) entre duas placas tectônicas, em uma região de fronteira conhecida como Cordilheira do Atlântico Médio

A usina geotérmica de Krafla em Reykjahlid

O Projeto de Perfuração Profunda da Islândia está perfurando 3 milhas (4,8 km) em antigos fluxos de lava em Reykjanes



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