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974.   Camada Extra de Placas Tectônicas Descoberta no Interior do Manto da Terra


  Por mais de meio século cientistas têm sabido que os continentes derivam sobre a superfície do nosso planeta, e que o solo oceânico se abre em sua esteira, com o magma do manto preenchendo o vazio. Na outra extremidade do processo, onde as placas tectônicas convergem, as placas oceânicas mergulham no manto mais profundo em um processo chamado subducção.

  Na terça-feira, Jonny Wu da Universidade de Houston apresentou uma evidência preliminar de possíveis placas tectônicas no interior do manto em uma conferência de troca de informações da União de Geociências do Japão e a União Geofísica Americana em Tóquio.

  Wu e colegas acreditam ter descoberto placas tectônicas que mergulharam no manto milhões de anos atrás, deslizando horizontalmente dentro de uma camada rica em água do manto conhecida como a “zona de transição”, que fica entre 440 e 660 quilômetros sob a superfície.

  Essas placas subduzidas parecem viajar horizontalmente por milhares de quilômetros a velocidades quase iguais às das placas que se movem na superfície.

  Os movimentos das placas podem explicar uma misteriosa série de grandes terremotos muito profundos conhecidos como terremotos Vityaz, que se originaram no manto entre Fiji e Austrália. Exatamente como nas placas tectônicas convencionais da superfície da Terra, os dobramentos e fissuras nestas placas subduzidas podem gerar terremotos. Wu e colegas sugerem que os terremotos Vityaz poderiam ser devidos ao deslizamento de uma placa subduzida dentro da zona de transição.

  “Basicamente, 90% da atividade sísmica profunda (mais de 500 km de profundidade) da Terra ocorre na área de Tonga onde encontramos a nossa longa e achatada placa”, disse Wu.

  A descoberta tornou-se possível por avanços recentes na sismologia, que permitiram aos cientistas produzir imagens do interior da Terra usando vibrações produzidas por terremotos naturais.

  Wu compara as novas imagens com as imagens do telescópio espacial Hubble: “Pense no Hubble. Olhamos para fora, e quanto mais adiante olhamos mais coisas descobrimos, não somente sobre o Universo – estamos atualmente olhando para trás no tempo. E essa nova sismologia é como virar o Hubble e olhar dentro da Terra, porque conforme olhamos mais fundo e obtemos imagens mais claras, podemos ver como a Terra pode ter se parecido mais e mais no passado.”

  Essas imagens sismológicas podem ser usadas para localizar placas tectônicas subduzidas espreitando dentro do manto e então reconstruir a configuração das placas na superfície da Terra milhões de anos atrás.

  “Estamos descobrindo oceanos perdidos que nem mesmo sabíamos ter existido”, disse Wu, que com colegas recentemente descobriu um deles com 8.000 quilômetros de extensão chamado Mar do Leste da Ásia, que existiu entre o Pacífico e a Índia há 52 milhões de anos atrás, e agora está enterrado a 500-1.000 km de profundidade no manto sob o leste da Ásia.

  Em muitos casos, antigas placas subduzidas mergulham além da zona de transição do manto “como uma folha numa piscina”, como Wu colocou, em direção ao núcleo. Mas sob o oeste do Pacífico, as placas encontraram um engarrafamento de tráfego.

  “A taxa de subducção no Pacífico é tão rápida que você tem que arranjar espaço para colocar lá todas as placas”, disse Wu, “e o leste da Ásia tem tido também uma longa história de emperramento da subducção. Deste modo essa placa é forçada a deslizar dentro do manto superior e da zona de transição e ser empurrada sob a China.”

  Wu salientou que as conclusões são preliminares e devem ainda ser submetidas à revisão por pares (peer review).

  David Rothery, um professor de geociências planetárias na Universidade Aberta, disse: “Esta evidência da parte subduzida de uma placa mantendo algum tipo de integridade após mais de mil quilômetros conforme é forçada ao longo da zona de transição é intrigante. Ela fará com que reconsideremos a idéia convencional de subducção de placas sendo assimiladas no manto profundo conforme mergulham.”

Fonte : The Guardian, 24/05/2017

Autor : Howard Lee, Hannah Devlin



Seção reta sísmica tomográfica ao longo do nordeste da Ásia mostrando a placa subduzida do Pacífico (cores branca até púrpura) e terremotos associados (esferas vermelhas). Fotografia: AGU Publications/Wiley

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