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975.   A Bateria de Bagdá


. A Descoberta

  O artefato que recebeu o nome de “bateria de Bagdá” foi encontrado em um local de nome Khujut Rabu perto de Bagdá nos anos 1930. O arqueólogo alemão Wilhelm König o descobriu na coleção do Museu Nacional do Iraque, ou talvez o tenha desenterrado ele mesmo.

  O parágrafo acima é um breve resumo do que se encontra com facilidade na internet (veja as referências [5], [6], [7], [8], [9], [10], [11], [12] e [13]), mas na Referência [2], o autor aponta imprecisões nas versões da descoberta. Destacamos em vermelho dúvidas sobre se foi o próprio Dr. König quem descobriu o artefato e sobre a datação do mesmo.

“So, how accurate is this story?

  Right at the start, we run into problems. There really was a German archaeologist named Wilhelm Konig; he worked at the Baghdad Museum in the 30's and took over as Director in 1934. And he did publish a paper on the "Baghdad Battery", in a 1938 issue of the German journal 'Forschungen und Fortschritte'. But here is where the problems begin: that journal ceased publication in 1967, and apparently only became available recently when digitized copies began appearing in Internet databases. Virtually none of the people who write about the topic in recent years seem to have actually read the original paper (several skeptical investigators mention that they had tried, unsuccessfully, to find a copy of Konig's original article). So most of the accounts we read today are actually drawn from earlier articles written in the 1960's, nearly all of them written by flying saucer fans--and many of these don't agree with each other.

  For instance, none of these "researchers" seems to actually know where or when the "battery" was found. Some accounts have Konig himself finding the battery during a dig at the site of Khujut Rabu, near Baghdad, in 1937 or 1938. Other accounts have Konig finding the battery in storage at the Museum in Baghdad after taking over as Director, in 1934 or 1937, having been dug up by someone else and placed in the museum's vaults. Many accounts have the battery as having been found in the ruins of a Parthian village from 250 BCE (the Parthians were an ancient Middle East people most famous for having successfully resisted the efforts of the Roman Empire to conquer them). Other accounts, however, cite unnamed "authorities" as classifying the clay jar as typical of the Sassanid period, about 250-650 CE, several hundred years later. It is not even clear how many "Baghdad Batteries" are supposed to exist--many accounts mention just one, but others assert that as many as a dozen may have been found.”

. Descrição do Artefato

  O Dr. König descreve detalhadamente o achado como consistindo de um pote de argila de fundo chato com 5,5 polegadas (14 cm) de altura, com pouco mais de 3 polegadas (7,6 cm) de diâmetro e uma abertura com 1,25 polegadas (3,2 cm) de diâmetro. O gargalo estava quebrado, com pequenos fragmentos de asfalto aderentes no interior, indicando que a abertura estivera selada. Dentro do pote havia um cilindro feito de uma chapa fina de cobre, medindo 3,8 polegadas (9,7 cm) de comprimento e 1 polegada (2,5 cm) de diâmetro. O fundo do cilindro estava coberto por um pequeno círculo de chapa de cobre, mantido no lugar por uma camada de asfalto. Dentro do cilindro de cobre havia uma haste de ferro bastante enferrujada com 3 polegadas (7,6 cm) de comprimento. Na sua parte superior havia um tampão de asfalto que encaixava na abertura do cilindro de cobre. A haste de ferro se projetava cerca de 0,5 polegada (1,3 cm) além do tampão.

  Destacamos a parte que menciona o gargalo quebrado, pois é extremamente importante para o que se segue. A imagem seguinte é a original apresentada pelo Dr. König:

. A Hipótese do Dr. König

  O Dr. König (ainda citando a Referência 2) menciona vários objetos similares encontrados na região. Em alguns o cilindro de cobre estava selado em ambas as extremidades e continha restos de fibras vegetais, sugerindo que papiros tinham ali sido guardados (destaque em vermelho). No entanto ele acaba por sugerir a hipótese de antigas baterias, que teriam sido usadas para fazer galvanoplastia, mas insta para que mais pesquisas sejam feitas.

”Konig then goes on to describe similar clay jars that had been found during Museum excavations at Tel Omar, near the ancient city of Seleucia. Here, several clay jars of similar size were found containing hollow copper cylinders. But these cylinders, Konig noted, had been sealed at both ends, and inside, archaeologists found the remains of plant fibers, probably the remnants of papyrus. There were no iron rods found with them, but they were found next to a piece of bronze rod and three pieces of iron wire. One clay jar contained a small flask made of glass, with no metal. Finally, Konig noted that clay jars with copper cylinders and iron rods had also been found in excavations by the Berlin Museum near Baghdad, in sites identified as Sassanid. These other finds seem to have become confused by later writers with Konig's "battery", producing all the confusion about what culture and period the "battery" comes from, and how many were actually found.”

A seguir mostramos a reconstrução da suposta bateria pelo Dr. König (esquerda) e uma reconstrução moderna (direita). Notem que nesta reconstrução moderna o cilindro de cobre ficou isolado do exterior, o que na prática impossibilitaria que o artefato funcionasse como uma bateria!

. Os Adeptos do Fantástico

  O Dr. König publicou um artigo sobre a possível “bateria” em um jornal de ciência alemão, mas com a guerra, sua pesquisa caiu no esquecimento. Parece que o assunto só voltou na década de 1960, na onda dos “deuses astronautas” de Erik von Daniken. Desde então a bateria de Bagdá faz parte do imaginário dos crentes dos antigos astronautas, civilizações avançadas extintas, OVNIs, etc. Veja aqui, aqui, aqui e aqui.

  Em alguns sites, os autores sugerem mesmo que as hipotéticas lâmpadas de Dendera no Antigo Egito, poderiam ter sido alimentadas por baterias similares à de Bagdá (veja aqui e aqui)!

. Poderiam Mesmo Ser Baterias?

  Devido ao número de experimentos já feitos, não há dúvida que dispositivos PARECIDOS com o “artefato de Bagdá” poderiam funcionar como baterias. Vejam as duas figuras seguintes:

Na figura à esquerda notamos que não há vedação na parte inferior do cilindro, e o eletrólito preenche todo o jarro. Na figura à direita o tubo de cobre vai além do tampão do jarro, de modo que os dois eletrodos ficam acessíveis. O voltímetro parece indicar 1 volt.

  A Referência [3] é muito interessante e relata um experimento com uma bateria parecida com o artefato de Bagdá e usando vinagre como eletrólito. O dispositivo conseguiu fornecer uma corrente de 10 mA com 1 volt de tensão, ou seja, 0,01 W (10 mW) de potência.

  A Referência [4], embora voltada para as "lâmpadas" de Dendera, também aborda o problema das baterias:

”Eu fiz uma reconstrução de uma bateria do tipo Bagdá. Ela produziu em torno de 0,4~0,5 volts com contatos abertos, e teve uma amperagem em curto circuito de 50mA. O desempenho elétrico é portanto de 25 miliWatts sem dispositivos conectados (o que torna-se 1/10 com apenas uma lâmpada ligada).

...

  Ah, depois de aproximadamente 8 horas de fornecimento de energia o interior da bateria decompõe-se em uma lama verde e venenosa que precisa ser jogada fora...”

  Quais os argumentos levantados contra a hipótese da bateria?

a) O acesso ao eletrodo de cobre. Mas como no artefato encontrado o gargalo do jarro estava quebrado, não há como saber exatamente se uma parte do cilindro de cobre se projetava para fora ou não.

b) Na época sabiam fabricar fios de comprimento suficiente para tornar úteis as baterias? Talvez tenham usado vários fios curtos de prata ou cobre emendados para obter um comprimento útil.

c) Dificuldade para a troca do eletrólito. No entanto o Dr. König verificou que a haste de ferro estava presa no centro de um tampão de asfalto que se encaixava no cilindro de chapa de cobre. Talvez esse tampão fosse de fácil remoção ou os usuários das baterias tivessem constatado que o eletrólito ácido e as reações químicas inutilizavam a haste de ferro e o tubo de cobre, tornando essas baterias descartáveis.

d) Uma junção ferro/cobre/eletrólito produz gás, e portanto bolhas. Essas bolhas criariam uma isolação em torno do eletrodo, que cresceria com o tempo, diminuindo progressivamente a eficiência da bateria.

  A nosso ver, nenhuma das objeções acima é suficientemente forte para invalidar a hipótese das baterias. Não há dúvida, entretanto, que a potência disponível seria muito baixa, e a vida da bateria muito curta. Resta ver em que esta primitiva fonte de energia elétrica poderia ter sido usada.

. Se Eram Baterias, Em Que Foram Usadas?

- Galvanoplastia: essa foi a sugestão do próprio Dr. König. A Dra. Arne Eggerbrecht realizou um experimento de galvanoplastia na década de 1970, usando réplicas do artefato de Bagdá, e alegou ter conseguido depositar uma fina camada de prata sobre um objeto, mas infelizmente não há documentação disponível. Nunca foram identificados objetos antigos revestidos por processo eletrolítico, e já se constatou que os objetos que o Dr. König pensou terem sido assim revestidos, foram produzidos por um processo chamado "fire-gilding", em que se usa um amálgama de mercúrio e ouro, sendo o mercúrio volatizado após a aplicação.

- Uso Medicinal: como na acupuntura.

- “Efeitos Especiais” em Templos: Se um dos terminais da bateria fosse ligado a uma estátua ou objeto sagrado metálicos, e o outro ligado de maneira que fosse tocado com certeza, então se o fiel beijasse ou encostasse a língua no objeto de adoração, sentiria uma sensação diferente que poderia ser tomada como uma manifestação sobrenatural.

  Achamos que qualquer aplicação sugerida que envolva ligações em série ou em paralelo para aumentar a potência disponível deve ser vista com cautela. Isto porque não se trata de coisa óbvia para quem nem saberia o que é eletricidade, bem ao contrário de nós, acostumados a lidar com baterias no dia a dia. Na ligação em série, que soma as tensões das fontes individuais, elas são interligadas através dos eletrodos de POLARIDADE OPOSTA. Já na ligação em paralelo, que visa obter maiores correntes, as fontes individuais são interligadas pelos eletrodos de MESMA POLARIDADE. Deste modo, tentar usar uma associação de baterias sem qualquer suporte de conhecimento teórico vira uma questão de pura tentativa e erro.

. Conclusão

  Depois de examinar os prós e os contras da hipótese do Dr. König, concluímos que ela não pode ser descartada, mesmo que não saibamos o propósito dessas baterias e não tenham sido descobertos objetos que pudessem ser associados ao emprego dessas baterias, como fios metálicos. A explicação que o artefato se destinava a guardar papiros nos parece muito forçada: se já usavam o tubo de cobre vedado nas duas extremidades, por que acrescentar uma haste de ferro, que só serviria para comprometer a vedação da jarra?

  Já foi sugerido que o “efeito bateria” pode ter sido descoberto por acaso, quando alguém utilizava um utensílio de ferro, como uma colher, mergulhado em um recipiente de bronze ou cobre cheio de vinagre ou um outro possível eletrólito. Uma vez o efeito descoberto, várias configurações podem ter sido testadas, até que se chegou às “baterias de Bagdá” que utilizavam tecnologias bem conhecidas.

  É claro que repudiamos qualquer explicação envolvendo conhecimento herdado da Atlântida e outras civilizações perdidas, dicas de visitantes extraterrestres, enfim, qualquer explicação fantasiosa que acaba por desprezar o poder de observação, a inteligência e a criatividade dos nossos antepassados.

No site em 31/05/2017

. Referências

[1] Baghdad battery (rationalwiki.org/wiki/Baghdad_battery)

[2] The Baghdad Battery: An Update, 10/02/2015 (www.dailykos.com/story/2015/2/10/1361589/-The-Baghdad-Battery-An-Update)

[3] Rough science and homemade batteries, 01/01/2006 (www.rsc.org/education/eic/issues/2006Jan/Rough.asp)

[4] Dendera: lâmpadas elétricas faraônicas? (www.aridesa.com.br/servicos/click_professor/cristiane_angelica/curiosidades/dendera.pdf)

[5] The 10 Most Not-So-Puzzling Ancient Artifacts: The Baghdad Battery, 22/06/2012 (archyfantasies.com/2012/06/22/the-10-most-not-so-puzzling-ancient-artifacts-the-baghdad-battery/)

[6] The "Baghdad Battery" (www.theironskeptic.com/articles/battery/battery.htm)

[7] Electricity in the Ancient World, 18/08/2011 (gatesofnineveh.wordpress.com/2011/08/18/electricity-in-the-ancient-world/)

[8] Baghdad Vases were Batteries?, 19/10/2014 (www.quantumgaze.com/curious/baghdad-batteries/)

[9] Did Iraq have the use of electricity 5000 years ago? (skeptics.stackexchange.com/questions/27247/did-iraq-have-the-use-of-electricity-5000-years-ago/27252#27252)

[10] Baghdad Battery (exampleproblems.com/wiki/index.php/Baghdad_Battery)

[11] The Baghdad Battery, 22/01/2013 (www.world-mysteries.com/strange-artifacts/out-of-place-artifacts/the-baghdad-battery/)

[12] Ancient artifacts & Modern hoaxes - A Comprehensive Study, 29/04/2016 (hubpages.com/religion-philosophy/Ancient-artifacts-Modern-hoaxes-A-Comprehensive-Study)

[13] The Baghdad Battery, 15/11/2016 (sandyhistorical.org/2016/11/15/the-baghdad-battery/)

[14] Baghdad Battery Debunked (lista de links) (search.lycos.com/web/?q=baghdad+battery+debunked&keyvol=00e67598550acd242b94)



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