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976.   NASA Antecipa Para 2018 o Lançamento da Sonda Solar Parker

A missão foi renomeada para homenagear o astrofísico Eugene Parker


  A NASA anunciou que a sua missão antecipada para mandar uma espaçonave à atmosfera do Sol tem um novo nome.

  Anteriormente conhecida como missão Sonda Solar Plus, o empreendimento será conhecido agora como Sonda Solar Parker, homenageando o astrofísico solar americano Eugene Parker que predisse um vento solar de alta velocidade – a rajada de partículas carregadas, ou plasma, que flui do Sol para o espaço.

  Parker, um professor emérito da Universidade de Chicago que fará 90 anos em junho, lançou esta teoria em 1958. Ela foi recebida inicialmente com ceticismo. “As pessoas pensaram que era apenas loucura”, disse Justin Casper, um cientista espacial da Universidade de Michigan e pesquisador chefe de um dos projetos de pesquisa científica da sonda. Mas observações posteriores provaram que a predição estava certa.

  O trabalho de Parker se aprofundou em um quebra cabeças persistente. Enquanto a temperatura do centro do Sol é de cerca de 15.000 °C, mais para o exterior as coisas se tornam complicadas. “Uma das coisas misteriosas sobre a atmosfera do nosso Sol é a superfície, que brilha a 6.000 °C na faixa visível de amarelo e branco, mas a coroa – sua atmosfera – está entre 1.000 e 5.000 °C”, disse Kasper.

  As incríveis temperaturas na coroa, percebeu Parker, criariam uma situação instável, significando que a atmosfera do Sol não é mais puxada para o centro pela gravidade da estrela, mas ao invés disso escapa para o espaço.

  “Parker disse que a uns dois raios solares, a atmosfera alcançaria a velocidade do som, isso quebraria a barreira do som na atmosfera solar, e por volta dos dez raios solares ela teria velocidades supersônicas”, disse Parker. “Entramos na era espacial, e uma das primeiras coisas que descobrimos é o vento solar supersônico.”

  Com a sonda preparada para investigar as origens do vento solar, incluindo o misterioso aquecimento da atmosfera solar e como o vento solar acelera para surpreendentes 400 milhas (640 km) por segundo, a mudança do nome da missão é um tributo adequado a Parker.

A Sonda Solar Parker gastará sete anos e 24 órbitas para chegar mais perto do Sol do que qualquer espaçonave antes

  Não é a primeira vez que a NASA renomeou uma missão para homenagear um cientista. Em 2008 a agência espacial renomeou o Telescópio Espacial de Grande Área para Raios Gama como Telescópio Espacial Fermi para Raios Gama em homenagem ao falecido físico italiano Enrico Fermi.Em 2012, a agência espacial anunciou que estava renomeando as Sondas para Tempestades no Cinturão de Radiação em homenagem ao falecido James Van Allen. Van Allen descobriu dois cinturões de radiação compostos de partículas carregadas, conhecidos como os cinturões de Van Allen, que circundam a Terra.

  A NASA nunca batizou uma espaçonave com o nome de um pesquisador enquanto vivo. “Bem, senhoras e senhores, estamos prestes a fazer história”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da diretoria de missões científicas da NASA, anunciando o novo nome da missão na Universidade de Chicago.

  Falando na conferência de imprensa, Nicola Fox, cientista de projeto da missão no Laboratório de Física Aplicada da Universidade John Hopkins, acrescentou que um chip seria colocado a bordo da espaçonave levando fotos de Parker e seus artigos científicos, assim como uma placa com uma inscrição de sua escolha. Parker foi então presenteado com um modelo da sonda.

  Em acréscimo, Parker foi agraciado com a Medalha de Serviço Público Eminente da NASA – o mais alto prêmio da agência espacial para pessoas não pertencentes ao governo – em honra ao trabalho de sua vida.

  Vestido com terno e gravata pretos, Parker disse que ele fora privilegiado ao ser a missão batizada em sua homenagem. “Estou grandemente honrado por ter sido associado com tal missão espacial científica heróica”, disse ele, explicando que projetar uma espaçonave para suportar temperaturas na proximidade do Sol é uma façanha considerável.

Realizando um Sonho do Início da Era Espacial

  Do tamanho de um carro, na forma da extremidade funcional de uma lanterna, e construída para suportar temperaturas de mais de 1.400 °C (2.552 °F), a recém nomeada Sonda Solar Parker está preparada para ser lançada no próximo verão em uma tentativa sem precedentes para chegar perto do nosso Sol, chegando a 4.000 milhas (6.400 km) de sua superfície.

  “Não é apenas extraordinário – é algo que as pessoas queriam fazer desde o início da era espacial”, disse Tim Horbury, professor de física no Colégio Imperial de Londres.

  O cientista diz que a missão, custando na faixa de 1,5 bilhões de libras, mudaria radicalmente nossa compreensão do Sol, enquanto oferecendo entendimentos vitais do clima espacial – fenômeno que inclui ejeções de massa coronal que disparam tempestades magnéticas que não somente danificam sistemas de satélites mas podem derrubar redes elétricas na Terra.

  “É uma missão imensamente importante e cientificamente fascinante”, disse David McComas, vice presidente do laboratório de física de plasma da Universidade de Princeton e principal pesquisador da “Investigação Integrada de Ciência do Sol” da sonda, pesquisa que testará como elétrons, prótons e outras partículas carregadas são aceleradas na atmosfera do Sol.

Interpretação artística da Sonda Solar Parker aproximando-se do Sol (Johns Hopkins University Applied/PA)

  “É de longe ir mais perto do Sol do que qualquer coisa jamais construída pelo homem”, disse McComas.

  Instrumentos para várias investigações científicas a bordo da espaçonave testarão miríades de fenômenos solares desde propriedades elétricas e magnéticas do plasma solar até a contagem e captura de componentes do vento solar. O último, um projeto chamado Investigação de Elétrons Alfa e Prótons do Vento Solar, é chefiado por Kasper.

  “O Sol é obviamente muito quente, e como resultado provoca uma bolha no espaço interestelar”, disse Horbury. “Nós vivemos nesta bolha, vivemos na heliosfera, e é o vento solar que infla esta bolha.”

  O objetivo da sonda é entender como o Sol cria o vento solar, e explorar os processos físicos que estão ocorrendo. Um membro da equipe de ciência para o instrumento Fields da sonda, Horbury planeja estudar a turbulência no vento solar.

  “Quando começamos no início a olhar o Sol do espaço percebemos que ele não é uma monótona bola amarela, é um objeto de plasma ativo, incrivelmente dinâmico”, disse ele.

  Mas os desafios têm sido imensos, acrescenta Horbury, descrevendo a missão como “justamente no limite do realizável”. A maior dificuldade foi projetar a sonda de modo a evitar que ela seja tostada pelo imenso calor do Sol – como parte da solução a sonda exibe um grande escudo térmico que é resfriado ativamente por sistemas de radiadores.

  “É uma pequenina espaçonave ocultando-se atrás deste grande escudo térmico”, disse Horbury. “São os extremos – tudo é diferente quando você está assim tão perto do Sol.”

  A Sonda Solar Parker viajará de longe mais perto do Sol do que qualquer sonda anterior. Embora 4.000 milhas (6.400 km) soe como uma distância considerável do Sol, ela corresponde a menos de 10 raios solares. “A Terra está distante cerca de 250 raios solares, então isto é realmente perto”, disse Horbury.

  A distância é crucial. O vento solar acelera para longe do Sol, mas é a cerca de 10 raios solares que ele se torna efetivamente supersônico. “O ponto acerca da sonda é que ela está indo alcançar abaixo deste limite crítico”, disse Horbury.

  McComas é parte da missão que explorará em detalhe como certas partículas, ejetadas por eventos incluindo ejeções de massa coronal, mas não fazendo parte do vento solar, terminam com energias muito altas, viajando a velocidades de até 80% da velocidade da luz. “Elas são partículas realmente interessantes e importantes porque, por exemplo, podem causar danos por radiação em espaçonaves, elas podem ser uma ameaça para astronautas no espaço”, disse ele.

  Não se espera que a missão ofereça somente esclarecimentos sem precedente na física do Sol – um empreendimento que lançará luz em processos acontecendo em estrelas através do Universo – mas também renderá informações vitais sobre clima espacial, o que ajudará os cientistas a prever eventos importantes antes que eles afetem a Terra.

  “As apostas na missão são altas”, admite Horbury.

  “A questão sobre o espaço é que todo mundo fez as coisas fáceis – só nos deixaram as coisas difíceis, então por definição isto é arriscado”, disse ele. “Eles estão realmente empurrando os limites do que é possível. Mas este é o modo como você faz progresso.”

Fonte : The Guardian, 31/05/2017

Autor : Nicola Davis

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