Home       Sua Opinião?

978.   Out of Place Artifacts (OOPArts) II


  Esta página visa reunir informações sobre alguns dos assim chamados “Out of Place Artifacts”, que a Wikipédia define como:

”Artefatos de interesse histórico, arqueológico ou paleontológico encontrados em um contexto não usual, que desafiam a cronologia histórica por serem “muito avançados” para o nível de civilização que existia na época, ou indicam “presença humana’ antes que os humanos tenham reconhecidamente existido.”

  Um comentário oportuno do site Skeptoid:

”O fato é que os OOPArts, apesar de toda a excitação que provocam, até agora nunca se mantiveram diante de qualquer escrutínio. Os exemplos testáveis, como o Mecanismo de Antikythera, provaram se encaixar em nosso entendimento da história e no melhor dos casos, o aperfeiçoaram. O resto, até agora, mostrou ser tudo contos de fada não existentes (como as Pedras Dropa), notícias sensacionalistas de objetos comuns (como o Artefato Coso), ou alguma coisa que encaixa nas agendas revisionistas dos adeptos da Terra Jovem, dos OVNIs, ou de qualquer outro grupo que coloca a ciência de lado em favor da ideologia.”

Bateria de Bagdá

Este seria um caso de "interpretação questionável"

Veja 975 - A Bateria de Bagdá



Esferas de Ottosdal (ou Kerksdorp)

Este seria um caso de "objetos naturais tomados como artefatos"

  Esses objetos foram encontrados por mineiros em depósitos de pirofilita com 3 bilhões de anos, da empresa Wonderstone Ltd. perto de Ottosdal, na África do Sul. Têm forma esférica ou de disco, às vezes com sulcos paralelos a toda volta, e análises mostraram que são compostos principalmente por hematita, wollastonita ou pirita. Muitos desses objetos foram parar no Museu de Kerksdorp, e algumas pessoas atribuíram erradamente sua origem a esta cidade, daí o nome “esferas de Kerksdorp”.

  Especialistas concluíram que os objetos são concreções naturais, e os sulcos são causados por laminação sedimentária.

  Na Referência [1] é mencionado que o primeiro artigo a defender a origem artificial dos objetos data de 1979. A partir daí os “adeptos do fantástico” se ocuparam do assunto e atribuíram as esferas a alguma antiquíssima civilização desconhecida ou a extraterrestres. Em 2001, uma tal Elizabeth Klarer chegou a afirmar que uma raça avançada construira a esfera, e que se tratava de um “disco ótico” contendo “segredos do universo”! Ela predisse que uma “pessoa escolhida” abriria o disco e usaria seus segredos para salvar a Terra!

  Ao longo dos anos, várias características e propriedades IMAGINÁRIAS foram atribuídas a esses objetos:
- São esferas perfeitas.
- São feitos de uma liga aço-níquel não encontrada na Terra.
- São de uma liga mais dura do que o aço, de modo que nossas ferramentas não podem cortá-los.
- Giram por si mesmos, sem receber energia externa.
- São perfeitamente balanceados, excedendo o limite da nossa capacidade de medição, segundo testes feitos pela NASA (!?)

. Referências

[1] The Mysterious "Spheres" of Ottosdal, South Africa (ncse.com/library-resource/mysterious-spheres-ottosdal-south-africa)

[2] Klerksdorp sphere (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Klerksdorp_sphere)

[3] Klerksdorp spheres (RationalWiki) (rationalwiki.org/wiki/Klerksdorp_spheres)

[4] Esferas de Klerksdorp (www.astropt.org/2012/06/10/esferas-de-klerksdorp/)

[5] The 10 Most Not-So-Puzzling Ancient Artifacts: The Grooved Spheres (archyfantasies.com/2012/04/02/the-10-most-not-so-puzzling-ancient-artifacts-the-grooved-spheres/)

[6] Sphères de Klerksdorp (Encyclopédie du Paranormal) (www.paranormal-encyclopedie.com/wiki/Articles/Sph%E8res_de_Klerksdorp)



Mecanismo de Anticítera (Anticythera)

Este seria um caso de "artefato não usual"

  Em 1900, um grupo de pescadores de esponjas descobriu ao largo da pequenina ilha de Anticítera, a noroeste de Creta, os restos de um navio romano naufragado a 45 metros de profundidade contendo estátuas, vasos, moedas e outros objetos. Vários desses objetos foram recolhidos, e após terminarem sua colheita de esponjas, o barco voltou à ilha de Anticítera, onde relataram às autoridades o achado. Imediatamente foi organizada a recuperação dos objetos submersos, que começou em novembro de 1900 e se estendeu por 1901. O trabalho foi interrompido no verão de 1901 devido à morte de um dos mergulhadores e à paralisia de dois outros por efeito da descompressão.

  Em 1953 o explorador Jacques-Yves Cousteau visitou brevemente o local. Em 1976 retornou com uma equipe completa a pedido de governo grego, tendo sido recuperados aproximadamente 300 artefatos.

  Foi em 1902 que Spyridon Stais, ex-Ministro da Educação, ao estudar os artefatos no Museu Arqueológico Nacional em Atenas, teve sua atenção despertada por um objeto de bronze bastante danificado onde aparecia uma roda e inscrições em grego. Este objeto ficou conhecido como o Mecanismo de Anticítera. A figura a seguir mostra os 82 fragmentos atribuídos ao mecanismo:

  Muitos pesquisadores se interessaram pelo mecanismo, mas só a partir da década de 1970, com a aplicação de técnicas cada vez mais sofisticadas de fotografia, raios X e tomografia computadorizada, foi possível decifrar a sua enorme complexidade. Existem inúmeras reconstituições do mecanismo, tanto físicas quanto virtuais. A figura seguinte mostra uma das reconstituições:

  Comparando os fragmentos com a reconstituição, podemos apreciar devidamente o fantástico trabalho dos pesquisadores. O mecanismo era protegido por uma caixa de madeira, acionado por uma manivela (visível à esquerda) e exibia um painel frontal (à esquerda) que mostrava o zodíaco grego e um calendário egípcio, e um painel traseiro (à direita). O mecanismo funcionava como um sofisticado calendário solar e lunar, que mostrava as fases da Lua, permitia prever eclipses e datas dos Jogos Olímpicos. A idéia de que também poderia indicar a posição dos cinco planetas conhecidos pelos gregos ainda é controversa.

  O funcionamento do mecanismo é por demais complicado para ser apresentado aqui, fugindo ao objetivo do texto. Para quem quiser conhecer os detalhes do mecanismo e sua operação, sugerimos as referências [1], [2] e [3]. Na referência [4] é mostrado como se faria a previsão de um eclipse. A referência [9] é o site do “Antikythera Mechanism Research Project”, um projeto multinacional que visa utilizar técnicas modernas de obtenção de imagens. Este site contém farta quantidade de informações sobre tudo que se refere ao mecanismo. Recomendamos também os quatro vídeos listados, sendo que o da referência [8] mostra uma reconstituição feita com LEGO.

  A datação mais aceita para o mecanismo é o final do século II a.C. e ele seria originário da Ilha de Rodes, na época um importante porto comercial. Supõe-se que foi construído em uma academia fundada naquela ilha pelo filósofo Posidônio, possivelmente com a orientação de Hiparco, considerado o maior de todos os astrônomos da antiguidade. Ele fez uso das observações e matemática dos babilônios, mas trabalhou usando trigonometria, abordagem que os gregos preferiam. Criou modelos precisos para os movimentos do Sol e da Lua, e deste modo foi capaz de prever eclipses, e também descobriu a precessão dos equinócios. É importante lembrar que o Mecanismo de Anticítera operava segundo as concepções astronômicas dos gregos, que supunham, por exemplo, órbitas circulares para os planetas. Outra hipótese, esta levantada pelo Antikythera Mechanism Research Project, é que o mecanismo é originário de alguma colônia de Corinto. Como Siracusa foi uma colônia de Corinto e lar de Arquimedes, o mecanismo poderia ter sido ali construído.

  O Mecanismo de Anticítera é considerado um dos mais importantes, se não o mais importante, objeto arqueológico já descoberto e certamente é o mais estudado. Ele mudou a maneira como víamos a capacidade científica e tecnológica das antigas civilizações, e confirmou a idéia da Grécia como berço da Ciência. Na verdade o conhecimento teórico por trás do seu projeto ultrapassou os limites do que a tecnologia da época poderia realizar, e algumas falhas foram encontradas, como o uso de dentes de engrenagem triangulares, que se desgastariam com rapidez, tirando a precisão do instrumento.

  O mecanismo tem recebido várias denominações, tais como: “primeiro computador”, “primeiro computador analógico, “computador mecânico” e “calculador astronômico”. Segundo a concepção antiga, isto é, um dispositivo capaz de realizar operações pré-determinadas (podendo ser selecionadas pelo operador), não é incorreto chamá-lo de “computador”, e do mesmo modo ábacos e réguas de cálculo seriam “computadores”. No entanto, a concepção moderna de "computador" é: “um dispositivo que pode ser PROGRAMADO para realizar AUTOMÁTICAMENTE um conjunto ARBITRÁRIO de operações aritméticas ou lógicas”. Esta definição remete à concepção da Máquina de Turing (e aqui), um modelo teórico proposto por Alan Turing em 1936. Deste modo, o mais certo atualmente é classificar o Mecanismo de Anticítera como um “calculador astronômico”, “calendário mecânico” ou alguma outra denominação similar.

. Referências

[1] Antikythera mechanism (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Antikythera_mechanism)

[2] Decoding the Antikythera Mechanism: Investigation of an Ancient Astronomical Calculator (www.antikythera-mechanism.gr/system/files/0608_Nature.pdf)

[3] The Antikythera Mechanism (hackaday.com/2015/11/23/the-antikythera-mechanism/)

[4] How to Predict an Eclipse (www.nature.com/scientificamerican/journal/v301/n6/box/scientificamerican1209-76_BX2.html)

[5] Virtual Reconstruction of the Antikythera Mechanism (by M. Wright & M. Vicentini) (Vídeo) (www.youtube.com/watch?v=MqhuAnySPZ0)

[6] Antikythera mechanism working model (Vídeo) (www.youtube.com/watch?v=4eUibFQKJqI)

[7] The 2000 Year-Old Computer - Decoding the Antikythera Mechanism (2012) (Vídeo) (www.youtube.com/watch?v=nZXjUqLMgxM)

[8] Lego Antikythera Mechanism (Vídeo) (www.youtube.com/watch?v=RLPVCJjTNgk)

[9] The Antikythera Mechanism Research Project (www.antikythera-mechanism.gr/)

[10] Antikythera Mechanism (the-fringe.com/thread-antikythera_mechanism)

[11] Decoding the Antikythera Mechanism, the First Computer (www.smithsonianmag.com/history/decoding-antikythera-mechanism-first-computer-180953979/)

[12] Calendars with Olympiad and Eclipse Prediction on the Antikythera Mechanism (www.antikythera-mechanism.gr/system/files/Antikythera_Nature2008_submitted.pdf)



Pássaro de Saqqara

Este seria um caso de "interpretação improvável"

  O “pássaro de Saqqara” é um artefato com a forma de um falcão estilizado, constituído por duas peças de madeira, com 14,2 cm de comprimento, 18 cm de envergadura, e pesando 39 gramas. Foi descoberto em 1898 em um túmulo em Saqqara, Egito, tendo sido datado de aproximadamente 200 anos a.C. Encontra-se atualmente no Museu de Antiguidades do Cairo. Em algumas referências afirma-se que próximo ao artefato foram encontrados tres papiros, em um dos quais estava escrito "eu quero voar".

  A hipótese mais aceita é que seja um objeto cerimonial, que era colocado no topo dos mastros de botes sagrados usados em cerimônias como o festival Opet:

  No entanto, um médico, arqueólogo, parapsicólogo e rabdomancista egípcio, Dr. Khalil Messiha sugeriu que os antigos egípcios haviam desenvolvido o primeiro avião, e que o artefato no Museu era apenas um modelo reduzido do original! Ele se baseou na cauda vertical, que difere dos pássaros reais, e no formato da asa, que lembra a dos modernos aeroplanos. Vejam a seguir para comparação, o artefato de perfil, um pássaro planando, e um moderno planador:

  O artefato não tem estabilizador horizontal, mas o Dr. Messiha supôs que essa parte se perdera. Aqui já estamos em alerta: as duas últimas das quatro atividades do Dr. Messiha o apontam como um possível “adepto do fantástico”, e agora ele tenta adaptar os fatos à sua hipótese. De qualquer modo, o Dr. Messiha construiu um modelo seis vezes maior que o artefato do museu, EM QUE INCLUIU O ESTABILIZADOR HORIZONTAL. Ele afirmou que o seu modelo voou.

  Outros testaram a idéia com variado grau de sucesso: em 2002, o Sr. Martin Gregorie construtor e projetista de aeromodelos, construiu uma réplica em madeira de balsa, e testou-a sem e com estabilizador horizontal. Ele declarou que a performance mesmo com estabilizador “foi desapontadora”, e concluiu que o artefato seria provavelmente um brinquedo ou um catavento. Em 2006 no entanto, o especialista em aerodinâmica Simon Sanderson testou uma réplica em um túnel de vento com bons resultados. Ele usou então os dados colhidos E ACRESCENTOU UM ESTABILIZADOR, submetendo esse MODELO VIRTUAL a um simulador de vôo. Concluiu que, nas condições do Egito, o pássaro de Saqqara poderia ter voado bastante bem.

  O problema é que em todos esses experimentos não se usaram réplicas exatas do pássaro de Saqqara. A madeira nele usada é o sicômoro, três vezes mais pesada do que a madeira de balsa, e o estabilizador horizontal é uma suposição do Dr. Messiha.

  Podemos imaginar que o artesão encarregado do design do pássaro resolveu usar dois pedaços de madeira não muito grossos, daí a cauda vertical, que seria apenas uma liberdade artística. A asa teria recebido uma curvatura suave na parte de cima por razões estéticas. Olhando desse modo, podemos apreciar o belo efeito da estilização imaginada pelo artista.

  Nenhum antigo aeroplano egípcio foi jamais encontrado e não há qualquer outra evidência de sua existência; e em nenhuma das incontáveis ilustrações que os antigos egípcios nos deixaram mostrando todos os aspectos da sua cultura, aparece um único aparelho voador. O “modelo de máquina voadora de Saqqara” é apenas imaginação de quem se deixa arrastar pela vontade de acreditar no maravilhoso, no inusitado.

. Referências

[1] Saqqara Bird (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Saqqara_Bird)

[2] Shooting Down the Saqqara Bird (skippytheskeptic.blogspot.com.br/2010/07/shooting-down-saqqara-bird.html)

[3] The 10 Most Not-So-Puzzling Ancient Artifacts: Ancient Model Aircraft, Plus a Rant! (archyfantasies.com/2012/08/05/the-10-most-not-so-puzzling-ancient-artifacts-ancient-model-artifact-plus-a-rant/)

[4] Model Airplane? (http://www.catchpenny.org/model.html)

[5] Flights of Fancy: Debunking Ancient Aliens' Claim of Ancient Flight (dontaskthatinchurch.blogspot.com.br/2012/05/flights-of-fancy-debunking-ancient.html)

[6] The Evidence For Ancient Flight (www.dumbassguide.info/index.php/entry/blog_id=38/)

[7] The Saqqara Bird (Pioneers of Aviation) (av8rblog.wordpress.com/2014/11/19/the-saqqara-bird/)



Pedras de Ica

Este seria um caso de "criações modernas, falsificações e hoaxes"

  Em 1966 o médico peruano Dr. Javier Cabrera Darquea foi presenteado com uma pedra onde estava gravada a figura de um peixe, que ele supôs representar uma espécie extinta. Curiosamente, ele nunca identificou o tal peixe, ou explicou como ele sabia que a figura era uma representação precisa do objeto real. Seu pai havia começado uma coleção, e, como era interessado na pré-história peruana, o Dr. Cabrera resolveu colecionar mais. Comprou peças de dois irmãos, Carlos e Pablo Soldi, e de um fazendeiro de nome Basilio Uschuya, e sua coleção alcançou 11.000 pedras nos anos 1970.

  As pedras são de andesita, e as imagens apresentam todo tipo de coisas, muitas anacrônicas em relação à arte pré-colombiana conhecida, como dinossauros e até humanos junto com eles. A Referência [7] apresenta imagens agrupadas por tema, como antigos astrônomos, continentes da Terra antiga, procedimentos médicos, etc. A primeira das imagens a seguir representa supostamente uma cirurgia de cérebro.

  É curioso que algumas das pedras apresentem figuras idênticas (destaques em vermelho) às encontradas na área das famosas Linhas de Nazca:

  O Dr. Cabrera, mesmo tendo em mãos inúmeras pedras com imagens de dinossauros junto com humanos, continuou acreditando na autenticidade das mesmas, e chegou mesmo a publicar um livro com o resultado dos seus “estudos” sobre elas, intitulado “A Mensagem das Pedras Gravadas de Ica”. Ele concluiu que os humanos tinham pelo menos 405 milhões de anos(!?) e que “através do transplante de códigos cognitivos em primatas altamente inteligentes, os homens do espaço exterior criaram os novos homens sobre a Terra”(!?). As pedras ganharam notoriedade quando, em 1996, o Dr. Cabrera abandonou a medicina e abriu um museu em Ica, de nome “Museo de Piedras Grabadas”, para expor sua pitoresca coleção.

  Em 1973 e 1975, Uschuya admitiu ter falsificado as pedras copiando imagens de revistas em quadrinhos, livros e revistas. Mais tarde voltou atrás e disse ter admitido a falsificação apenas para evitar a prisão por vender artefatos arqueológicos. Em 1977, em um documentário da BBC, Uschuya produziu uma pedra Ica usando uma broca de dentista, e disse que a pátina de antiguidade era conseguida cozinhando as pedras em esterco de vaca. Uschuya chegou a ser preso pela venda de peças arqueológicas, mas novamente declarou que eram falsificações e acabou sendo solto. No entanto ele também admitiu não ter feito todas as pedras.

  Um investigador espanhol, Vicente Paris, depois de quatro anos de investigação declarou que as evidências indicavam que as pedras eram um hoax. Entre outras provas apontadas, microfotografias dos sulcos mostravam traços de modernas tintas e abrasivos. A nitidez dos sulcos também vai contra a suposta antiguidade das pedras.

  Uma objeção importante quanto à autenticidade das pedras é a ausência de escrita, pois não foram nelas observados quaisquer caracteres. Pode-se supor que uma escrita seria mais difícil de ser fraudada, sem que o embuste fosse imediatamente percebido pelos especialistas.

  Adeptos das hipóteses dos deuses astronautas, antigas civilizações perdidas e principalmente criacionistas da Terra jovem consideram as pedras de Ica como importantes evidências para as suas respectivas crenças (veja as Referências [4] e [5]). Como estes grupos sabidamente não são muito exigentes quanto à autenticidade das evidências que acatam, isso não é de admirar.

  As pedras não têm material orgânico incrustado, por isso não podem ser datadas por meio do Carbono 14. Só poderiam ser datadas através do exame do local (ou locais) de onde teriam sido retiradas, mas isso foi mantido convenientemente em segredo pelos fornecedores. Aparentemente o Dr. Cabrera não se preocupou com esta questão fundamental, e limitou-se a aceitar a palavra dos seus fornecedores, de modo que a sua espantosa coleção não tem, a rigor, valor arqueológico. Podemos pensar que habitantes da região, ao saber que o excêntrico doutor estava disposto a pagar por qualquer pedra gravada que lhe apresentassem, trataram de “arranjar” quantas pedras lhes foi possível.

  A Referência [9] foi incluída para mostrar que os criacionistas realmente usam as pedras de Ica em sua argumentação.

. Referências

[1] Ica stones (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Ica_stones)

[2] Ancient artifacts & Modern hoaxes - A Comprehensive Study (hubpages.com/religion-philosophy/Ancient-artifacts-Modern-hoaxes-A-Comprehensive-Study)

[3] Ica Stones: Yabba-Dabba-Do! (www.csicop.org/si/show/ica_stones_yabba-dabba-do)

[4] Ica stones (skepdic.com/icastones.html)

[5] The 10 Most Not-So-Puzzling Ancient Artifacts: The Ica Stones (archyfantasies.com/2012/05/08/the-10-most-not-so-puzzling-ancient-artifacts-the-ica-stones/)

[6] The Ica Stones and Dr. Javier Cabrera (pseudoarchaeology.org/b03-ross.html)

[7] The Ica Stones of Peru (www.crystalinks.com/icastones.html)

[8] Ica Stones Revisited (unitedcats.wordpress.com/2010/07/07/ica-stones-revisited/)

[9] Ignorância científica: mais perto o que nunca! (trajectoria-aleatoria.blogspot.com.br/2010/06/ignorancia-cientifica-mais-perto-o-que.html)



Vaso de Dorchester

Este seria um caso de "interpretação improvável"

  Este artefato foi encontrado partido em dois pedaços após uma explosão para quebrar rochas em Meeting House Hill, Dorchester, Massachussets, em 1852. Os dois pedaços foram encontrados entre os destroços produzidos pela explosão, e daí deduziu-se (!?) que estavam inseridos originalmente na rocha. A única informação que temos sobre essa ocorrência vem de um texto do Scientific American de 05/06/1852, produzido a partir da notícia em um jornal local, o Boston Transcript.

  A rocha (Roxbury Conglomerate) no local da explosão tem uma idade entre 570 e 593 milhões de anos, de modo que quando caso se tornou conhecido, imediatamente os “adeptos do fantástico” passaram a citar o artefato como mais uma evidência para suas crenças. Foi Charles Fort quem reviveu o assunto quando em 1919 publicou o seu “Livro dos Danados”, o primeiro de quatro livros colecionando eventos que, segundo ele, desafiavam explicações científicas. A sua descrição dessa ocorrência tornou-se referência para muitos outros escritores.

  O artefato, uma vez emendadas as duas partes, tinha 11,5 centímetros de altura, 16,5 centímetros de diâmetro na base e 6,4 centímetros de diâmetro no topo. A superfície lembrava uma liga de zinco e prata, e era decorado com figuras de flores e uma guirlanda, desenhadas com incrustações de prata.

  Não há evidência de que o objeto estivesse embebido na rocha, ele provavelmente estava simplesmente enterrado no chão e foi pelos ares quando da explosão. Não temos nenhuma foto, e o objeto desapareceu, mas pesquisadores o identificaram como um suporte para vela em estilo vitoriano (imagem abaixo) ou um suporte para cachimbo indiano (imagem que abre este tópico).

. Referências

[1] Dorchester Pot (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Dorchester_Pot)

[2] Metallic vase from Dorchester, Massachusetts (www.badarchaeology.com/out-of-place-artefacts/very-ancient-artefacts/metallic-vase-from-dorchester-massachusetts/)

[3] 1852, May 19: The Dorchester Pot (anomalyinfo.com/Stories/1852-may-19-dorchester-pot)

[4] OOPArt? The Dorchester Pot (http://irna.lautre.net/OOPArt-The-Dorchester-Pot.html)

[5] The Dorchester Pot: New Questions about an Old OOPART (http://www.jasoncolavito.com/blog/the-dorchester-pot-new-questions-about-an-old-oopart)

No site em 07/06/2017

Atualizado em 12/07/2017



debunking out of place artifacts ooparts debunked hoaxes artefatos objetos inexplicáveis misteriosos do passado, objetos antigos que os cientistas a ciência não explicam, arqueologia proibida

<p align="center"> <font face="tahoma" size=4> <a href="Menu_alternativo.htm" target="_top"> <font color="ff0000">Voltar para o Menu Alternativo</font> </a> </font> </p>