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981.   NASA Anuncia Descoberta de Novo Sistema Solar: Trappist-1


  Por séculos este tem sido um dos mistérios que mais afligiu a humanidade: estamos nós, os sete bilhões de habitantes deste maravilhoso planeta azul realmente sós, ou há vida em algum lugar lá fora no Universo?

  Ontem, chegamos um passo mais perto de responder essa tantalizante questão com o histórico anúncio por cientistas da NASA da descoberta de um novo sistema solar que possui pelo menos três planetas semelhantes à Terra – com climas que podem sustentar a vida.

  O tipo de planeta que um certo ET poderia ter chamado de lar.

  A descoberta por uma equipe internacional usando avançados telescópios no espaço e em locais remotos ao redor do globo causou um frenesi de excitação entre astrônomos que, como espécie, não são dados a hipérboles.

  Entretanto, ele está sendo descrito como “o Santo Graal” para pesquisadores.

  Os intrigantes novos planetas são comparativamente vizinhos próximos também, a apenas 39 anos luz da Terra. Sem menosprezar, 39 anos luz (234 milhões de milhas ou 377 milhões de km) dificilmente é um pulinho.

  Mas essa proximidade relativa permitirá aos astrônomos com ultra-sofisticados telescópios e registradores focalizar os planetas e confirmar se existe água e a atmosfera benigna necessária para a vida prosperar.

  Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões de Ciência da NASA em Washington DC, disse ontem: “Essas questões sobre ‘nós estamos sozinhos’ estão sendo respondidas enquanto falamos, nesta década ou nas próximas décadas. Esta história nos dá uma dica de que encontrar uma segunda Terra não é uma questão de se, mas de quando.”

  Cientistas há muito têm especulado que planetas favoráveis à vida devem existir em algum lugar do Universo, mas nenhum já foi confirmado como potencialmente sustentador de vida.

  Agora os astrônomos dizem que detectaram não menos de sete mundos do tamanho da Terra orbitando uma estrela anã vermelha – o equivalente ao nosso Sol – chamada TRAPPIST-1.

  Acredita-se que os sete planetas têm no mínimo um bilhão de anos de idade e, em teoria, todos poderiam ter lagos e oceanos. Mas três estão muito perto da estrela e, portanto, provavelmente são muito quentes para ter água, enquanto o planeta mais distante é muito frio.

  São os três planetas do meio (chamados TRAPPIST-1 “e”, “f” e “g”) que estão gerando o maior interesse porque eles ficam naquilo que é chamada a zona habitável “Cachinhos Dourados” – nem muito quente nem muito fria para abrigar vida.

  Adicionalmente, o planeta “e” é bem próximo em tamanho à Terra e recebe o mesmo nível de luz de sua estrela.

A estrela Trappist-1 é uma anã ultra-fria, e tem sete planetas do tamanho da Terra orbitando à sua volta. O gráfico mostra como o planeta mais externo 1h é um planeta gelado, enquanto nas órbitas mais interiores os planetas 1b, 1c e 1d são provavelmente quentes e secos. Embora os pesquisadores afirmem que todos os sete planetas podem ter água em suas superfícies, são os planetas 1e, 1f e 1g que mais provavelmente têm oceanos de água

A tabela mostra, na linha de cima, impressões artísticas dos sete planetas de Trappist-1 com seus períodos orbitais, distâncias de sua estrela, raios e massas em comparação com aqueles da Terra. A linha de baixo mostra dados de Mercúrio, Venus, Terra e Marte. As órbitas dos sete planetas são mais próximas de sua estrela do que a órbita de Venus, Terra e Marte, e são, portanto, significativamente mais curtas

  O planeta “f” é potencialmente rico em água e recebe aproximadamente a mesma quantidade de luz que Marte. O planeta “g” é o maior: seu raio é cerca de 13% maior que o da Terra.

  Cálculos da densidade dos planetas sugerem que os seis mais internos são rochosos, também como a Terra.

  Nenhum outro sistema solar conhecido contém tal grande número de planetas do tamanho da Terra e provavelmente rochosos, um outro fator a encorajar o surgimento da vida.

  A pesquisa, publicada no periódico Nature, foi dirigida pelo Instituto STAR da Universidade de Liege na Bélgica.

  Ela usou o Telescópio Espacial Spitzer da NASA com o complemento de instalações em terra, incluído o Telescópio de Liverpool, operado pelo Instituto de Pesquisa Astrofísica (ARI) da Universidade John Moores de Liverpool (LJMU).

  O Dr. Chris Copperwheat, um astrônomo da LJMU, que co-liderou a equipe, diz: “A descoberta de múltiplos planetas rochosos com temperatura de superfície que admite água líquida torna este maravilhoso sistema um excitante futuro alvo na busca por vida.”

  De fato, foi o telescópio robótico operado pela LJMU que teve o maior papel na descoberta.

  Localizado em La Palma nas Ilhas Canárias, ele detecta planetas usando o método do “trânsito”.

  Ele monitora quedas na saída de luz de uma estrela – no caso TRAPPIST-1 – causadas por planetas passando, ou transitando, em frente dela e permite aos astrônomos inferir informações sobre tamanho, composição e órbita.

Uma concepção artística mostrando como o sistema planetário Trappist-1 pode se parecer baseada em dados sobre seus diâmetros, massas e distâncias da estrela hospedeira. Os planetas são identificados “1b” até “1h” e cada um poderia ter água em sua superfície dadas as condições atmosféricas certas, significando que todos poderiam potencialmente abrigar vida alienígena

Comparando o sistema Trappist-1 com o sistema solar. A imagem esquerda compara os tamanhos dos principais objetos do sistema solar com os planetas de Trappist-1. A estrela Trappist-1 é pequena, pouco maior que Júpiter. Os planetas de Trappist-1 são comparáveis à Terra. A imagem direita mostra a quantidade de energia recebida da estrela (eixo vertical), com a Terra = 1. Números indicam quanto fluxo (2 = duas vezes mais, ½ = metade) corresponde a uma dada distância. O tamanho dos planetas é relativo

Vista de cima do sistema planetário Trappist-1. A estrela está no centro e os planetas orbitam à volta dela. Suas posições relativas correspondem a como o sistema pareceria quando os pesquisadores viram o primeiro planeta passar em frente da estrela. Os tamanhos relativos dos planetas está correto, mas em escala diferente de suas distâncias para a estrela

  TRAPPIST-1 está na constelação de Aquário: talvez apropriadamente, o “portador de água”.

  É muito pequena para uma estrela – sua massa é menos de um décimo do nosso sol e somente marginalmente maior que Júpiter.

  É descrita como uma estrela “tranquila”, emitindo algumas labaredas solares, mas não fortes o suficiente para eliminar a vida. É devido à estrela ser tão mortiça que os planetas em órbita são aquecidos suavemente, apesar de haver órbitas que são muito menores que a de Mercúrio, o planeta mais próximo ao Sol do nosso sistema solar.

  Os três planetas mais promissores recebem quantidades de energia solar similares às dos planetas Venus, Terra e Marte, e o Telescópio Espacial Hubble da NASA já está procurando por atmosfera ao redor deles. Alguns cientistas estão prevendo que dentro de uma década saberemos se algum dos planetas abriga vida.

  E se existem formas de vida, elas terão um tempo muito mais longo para evoluir do que temos na Terra – graças à sua relativamente baixa temperatura, estrelas anãs como TRAPPIST-1 queimam seu suprimento de hidrogênio muito menos rapidamente do que estrelas como o Sol. Enquanto o Sol tem um tempo de vida estimado em dez bilhões de anos, estrelas anãs podem existir por trilhões.

  Tanto quanto focaliza no novo sistema solar, a equipe internacional de astrônomos seguirá na busca de 1.000 das anãs brancas ultra-frias mais próximas da Terra na esperança de identificar mais planetas similares à Terra em novos sistema solares.

  De fato, especialistas da diretoria da Missão de Ciência da NASA dizem que o projeto está na fase da “corrida do ouro”. O Dr. Emmanuel Jehin, outro membro da equipe de Liege, diz: “Com a geração de telescópios vindoura, tais como o Telescópio Europeu Extremamente Grande e o Telescópio Espacial James Webb da NASA, logo estaremos aptos a procurar por água, e talvez mesmo por evidência de vida naqueles planetas.”

  O anúncio ontem levanta outra questão intrigante e muito debatida: se há vida alienígena inteligente em um planeta orbitando TRAPPIST-1, por que ela não fez o esforço de entrar em contato conosco ou mesmo veio nos visitar?

  Isto é especialmente pertinente se os alienígenas de lá tiveram um tempo de partida evolucionário precedendo o nosso por bilhões de anos.

  Este é o famoso enigma chamado o “Paradoxo de Fermi”. Nos anos 1940, o renomado físico italiano Enrico Fermi sugeriu que, com 100 bilhões de estrelas em nossa galáxia, era logicamente inevitável que vida inteligente deveria ter evoluído em outro lugar no Universo.

  E mais, ele acrescentou, uma forma de vida extraterrestre altamente evoluída já deveria ter certamente colonizado a galáxia.

  Então, Fermi perguntou, onde estão todos os alienígenas?

  O paradoxo tornou-se mais e mais desconcertante conforme nosso conhecimento do Universo aumenta.

  Assim como os planetas recentemente encontrados orbitando TRAPPIST-1, varreduras do espaço profundo realizados pela NASA descobriram outros nove planetas mais longínquos que podem potencialmente sustentar vida.

  Alguns cientistas vão tão longe que especulam a possível existência de cerca de 60 bilhões de planetas capazes de suportar vida somente na Via Láctea.

  40 anos já de intensiva busca por inteligência extraterrestre nada produziu. Nem sinais de rádio, nem avistamentos credíveis de espaçonaves, nem encontros de qualquer tipo.

Concepção artística de como Trappist-1f poderia se parecer. 1f foi listado pelos pesquisadores como o planeta mais provável de abrigar vida alienígena. O Dr. Amaury Triaud disse ao MailOnline: “O planeta f tem um tamanho similar ao da Terra mas é um pouquinho mais frio, e a temperatura é aproximadamente a correta. Ele recebe apenas um pouco menos energia da sua estrela do que a Terra.”

  Geoffrey Miller, um psicólogo evolucionário da Universidade do Novo México, propôs uma resposta perturbadora. Talvez haja um limite para quão sofisticada uma espécie pode se tornar.

  Nós nos tornamos espertos o suficiente para construir bombas atômicas – e tolos o suficiente para usá-las, diz ele. Ou talvez nós apenas nos tornamos viciados na mídia social e jogos de computador, sugere Miller de modo brincalhão.

  “Os alienígenas podem se esquecer de mandar sinais de rádio ou de colonizar o espaço porque estão muito ocupados com consumismo descontrolado e narcisismo de realidades virtuais... tal qual estamos fazendo agora”, diz ele.

  Com a descoberta dos planetas semelhantes à Terra de TRAPPIST-1, temos a chance de descobrir se as teorias atuais sobre vida alienígena contém alguma verdade.

  Mas antes que esperemos demais, uma palavra de cautela de Lord Rees, Astrônomo Real: "Mesmo se as condições são próximas daquelas da Terra, os mistérios da biologia permanecem."

  “Sabemos como a vida simples evoluiu na nossa presente biosfera. Mas não sabemos como a primeira vida foi gerada de uma ‘sopa’ de produtos químicos.”

  “Ela pode ter evoluído por um acaso tão raro que isto só aconteceu uma vez na inteira galáxia – como reembaralhar um baralho de cartas obtendo uma ordem perfeita.”

  Por outro lado, essa transição crucial pode ser quase inevitável dado o ambiente “certo”. Vigiem o espaço.

Fonte : Daily Mail, 23/02/2017

Autor : John Naish, Victoria Allen



Veja também:

Trappist-1 Could Be 9.8 Billion Years Old (Daily Mail, 12/08/2017)

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