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988.   Chimpanzés em Uganda Mudam de Comportamento por Serem Observados


  Parece que os humanos não são as únicas criaturas que sentem a pressão para desempenhar um comportamento.

  Chimpanzés mudam sua estratégia de caça quando sabem que cientistas estão observando, sugere nova pesquisa.

  Cientistas acreditam que um grupo de chimpanzés Sonso em Uganda que têm sido observados por eles durante 27 anos podem ter se acostumado a serem observados, enquanto seus vizinhos Waibira não.

  Isto pode explicar as estratégias de caça dramaticamente diferentes das comunidades Sonso e Waibira de chimpanzés que vivem pertinho uma da outra.

Para os chimpanzés Sonso (imagem) a maioria da geração atual de adultos nasceu sendo observada por cientistas de modo que eles ficam descontraídos sobre sua presença

  Pesquisa chefiada pela Universidade de Santo André descobriu que duas comunidades de chimpanzés na floresta de Budongo em Uganda tinham atitudes impressionantemente diferentes para caçar e no modo de dividir o alimento.

  “As diferenças entre estas comunidades na caça são dramáticas – de modo que quisemos tentar entender porque”, disse a autora principal Dra. Catherine Hobaiter.

  “Eles vivem na mesma floresta e têm acesso à mesma presa, mas eles caçam espécies diferentes e parecem dividir comida diferentemente”, disse ela.

  Há muitas razões porque suas práticas de caça são tão diferentes, mas a Dra. Hobaiter acredita que pode ser porque um grupo acostumou-se a ser observado por cientistas.

  “A principal coisa que é diferente sobre eles agora mesmo é quão habituados eles estão a terem humanos seguindo-os pela floresta”, disse ela à BBC.

  “Para os Sonso – a maioria da geração atual de adultos nasceu conosco estando lá, então eles são incrivelmente descontraídos sobre a nossa presença.”

  “Mas para os waibira – alguns dos jovens começaram a crescer e se tornaram muito confortáveis conosco, mas alguns dos adultos poderiam ter de 30 a 40 anos quando começamos, e cinco anos sendo seguidos por nós em suas rondas é uma fração do seu tempo de vida”, disse ela.

  A Dra. Hobaiter ressaltou que pode levar um longo tempo para chimpanzés aceitarem a presença de estranhos em seu território.

A comunidade Sonso, estudada por 27 anos, prefere caçar macacos colobus de pelo branco e preto (imagem à esquerda). Depois de pegar um macaco (direita) os machos de maior hierarquia tomam posse da carcaça

  A comunidade Sonso, estudada por 27 anos, prefere caçar macacos colobus de pelo branco e preto.

  Depois de pegar um macaco, os machos de maior hierarquia tomam posse da carcaça, mesmo se não foram eles que a conseguiram.

  Outros membros do grupo então pedem acesso à comida, que algumas vezes é partilhada.

  Em contraste, a comunidade Waibira, estudada por seis anos, usualmente prefere caçar duikers - um tipo de antílope pequeno – especialmente o duiker vermelho, uma espécie que os chimpanzés Sonso nunca foram vistos caçando.

Uma jovem fêmea Waibira recusa-se a dividir a carne com um macho dominante sentado perto dela – isto seria inaudito entre os Sonso. A Dra. Catherine Hobaiter acredita que a presença de cientistas pode ter mudado o comportamento das comunidades

  Os Waibira também caçam várias outras espécies, incluindo macacos.

  Depois de apanhar a presa, o grupo de membros de menor categoria, mesmo as jovens fêmeas, é capaz de apanhar e manter a posse da carcaça.

  “Pesquisa de longo prazo com chimpanzés traz benefícios reais de conservação, mas temos que lembrar que nossa presença afeta seu comportamento; neste caso a caça de macacos colobus pelo grupo pode levar anos para ser restabelecida”, disse a Dra. Hobaiter.

Machos dominantes entre os Sonso tomam posse da carne, mesmo quando não foram eles que a conseguiram

Outros membros do grupo Sonso então pedem para ter acesso à comida, que algumas vezes é partilhada

  “Parte do nosso trabalho é entender o que é o nosso impacto e tentar minimizá-lo”, disse ela.

  Chimpanzés são amplamente considerados a espécie não humana mais “cultural”.

  Este estudo (publicado no PlosOne) enfatiza que fatores culturais, sociais, ambientais e humanos, todos contribuem para as diferenças que vemos entre as comunidades de chimpanzés atualmente, disseram os pesquisadores.

O estudo é baseado em observações do comportamento de caça de duas comunidades vizinhas de chimpanzés na floresta de Budongo em Uganda

Fonte : Daily Mail, 23/06/2017

Autor : Phoebe Weston

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