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989.   Out of Place Artifacts (OOPArts) IV


  Esta página visa reunir informações sobre alguns dos assim chamados “Out of Place Artifacts”, que a Wikipédia define como:

”Artefatos de interesse histórico, arqueológico ou paleontológico encontrados em um contexto não usual, que desafiam a cronologia histórica por serem “muito avançados” para o nível de civilização que existia na época, ou indicam “presença humana’ antes que os humanos tenham reconhecidamente existido.”

  Um comentário oportuno do site Skeptoid:

”O fato é que os OOPArts, apesar de toda a excitação que provocam, até agora nunca se mantiveram diante de qualquer escrutínio. Os exemplos testáveis, como o Mecanismo de Antikythera, provaram se encaixar em nosso entendimento da história e no melhor dos casos, o aperfeiçoaram. O resto, até agora, mostrou ser tudo contos de fada não existentes (como as Pedras Dropa), notícias sensacionalistas de objetos comuns (como o Artefato Coso), ou alguma coisa que encaixa nas agendas revisionistas dos adeptos da Terra Jovem, dos OVNIs, ou de qualquer outro grupo que coloca a ciência de lado em favor da ideologia.”

Dinossauros de Acámbaro

Este seria um caso de "criações modernas, falsificações e hoaxes"

  As estatuetas foram supostamente descobertas em 1944 na cidade mexicana de Acámbaro por um imigrante alemão, Waldemar Julsrud, segundo contou um criacionista da Terra jovem de nome Dennis Swift, um defensor da antiguidade das peças. Julsrud teria contratado um fazendeiro local para desenterrar as estatuetas remanescentes, e este e seus auxiliares acabaram lhe entregando mais de 32.000 delas. Além dos supostos dinossauros, representados até junto com pessoas, havia também representações de pessoas de diversas etnias. As figuras atraíram pouca atenção dos acadêmicos, e Julsrud começou a afirmar que eram legítimas representações de dinossauros, criadas por uma antiga civilização. A mídia popular acabou por dar cobertura ao assunto, tornando conhecidas as estatuetas, e os criacionistas da Terra Jovem as mencionam até hoje.

  O arqueólogo Charles C. Di Peso, que trabalhava para a Fundação Ameríndia, examinou as figuras e concluiu que não eram autênticas, mas sim um produto moderno de artesãos locais:

  “Ele concluiu que as figuras eram de fato falsas: suas superfícies não mostravam sinal de idade; nenhuma terra em suas fissuras; e embora algumas estivessem quebradas, nenhum pedaço estava faltando e nenhuma superfície quebrada estava gasta. Além disso, a estratigrafia das escavações mostrou claramente que os artefatos foram colocados em um buraco recém escavado, cheio com uma mistura das camadas arqueológicas circundantes. Di Peso também descobriu que uma família local estivera produzindo e vendendo as figuras a Julsrud por um peso a peça desde 1944, presumivelmente inspiradas por filmes exibidos no cinema de Acámbaro, revistas de quadrinhos e jornais disponíveis localmente, e viagens diárias acessíveis ao Museu Nacional da Cidade do México.”

  Defensores das estatuetas argumentam que Di Peso não poderia ter feito uma investigação séria nas quatro horas que passou no local, mas, segundo as Referências [6] e [8], Di Peso passou pelo menos dois dias em Acámbaro. Essas referências apresentam detalhes importantes da pesquisa de Di Peso no local.

  Uma primeira datação por termoluminescência indicou uma origem de 2.500 a.C. para as estatuetas, no entanto nova datação de 1976 (Referência [7]) indicou que as peças haviam sido cozidas aproximadamente 30 anos antes de 1969, isto é, são produções modernas.

  Desde modo, temos de concluir por uma falsificação moderna, tal qual o caso das Pedras Ica, muito similar a este.

. Referências

[1] Acámbaro figures (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Ac%C3%A1mbaro_figures)

[2] Alleged Dinosaurs in Ancient Art (paleo.cc/ce/dino-art.htm)

[3] Clay Figurines of Real Dinosaurs with Humans? (michaelsheiser.com/PaleoBabble/2010/07/clay-figurines-of-real-dinosaurs-with-humans/)

[4] The Acambaro Figures - Famous Fakes and Frauds (www.detecting.org.uk/html/Acambaro_Figures_Famous_Fakes_and_Frauds.html)

[5] Did Dinosaurs Coexist With Humans? (www.michaelsheiser.com/PaleoBabble/Pezzati%20PENN%20Expedition%20Acambaro%20figures.pdf)

[6] The Clay Figurines of Acambaro, Guanajuato, Mexico (www.michaelsheiser.com/PaleoBabble/The%20Clay%20Figurines%20of%20Acambaro.pdf)

[7] THERMOLUMINESCENT DATING AND THE MONSTERS OF ACAMBARO (www.michaelsheiser.com/PaleoBabble/Thermoluminescent%20Dating%20and%20the%20Monsters%20of%20Acambaro.pdf)

[8] Index to Creationist Claims - Claim CH710.2 (www.talkorigins.org/indexcc/CH/CH710_2.html)



Disco de Festos (Phaistos)

Este artefato não deve ser classificado como OOPArt

  Incluímos este artefato, embora não seja realmente um OOPArt, porque ele aparece ocasionalmente em listas de “objetos misteriosos que desafiam os cientistas”.

  Foi descoberto em 1908 por um arqueólogo italiano, Luigi Pernier, no sítio do palácio minóico de Festos. É um disco de argila cozida com cerca de 15 centímetros de diâmetro e um de espessura, coberto dos dois lados por símbolos gravados na argila e dispostos em espiral. Encontra-se atualmente em exposição no Museu Arqueológico de Heraklion.

  São 45 símbolos distintos, formando 31 grupos ou “palavras” do lado A e 30 do lado B:

Transcrição das 61 “palavras”, fazendo-se a leitura no sentido horário e da periferia para o centro

  O disco é considerado autêntico pela maioria dos arqueólogos, mas não há consenso em sua datação, que varia em um intervalo aproximado de 1.850 a 1.400 a.C. Uma característica notável é que as inscrições devem ter sido produzidas com a aplicação de “sinetes” com os símbolos individuais na argila mole, tornando o disco o mais antigo exemplo conhecido de impressão com caracteres móveis.

  Muitas tentativas já foram feitas para decifrar as inscrições (a Wikipédia listava 26 autores em julho/2017), sem sucesso. O problema é que, além do pouquíssimo material disponível para análise, pois são apenas 61 grupos de símbolos, não se sabe o idioma usado, nem o contexto. O disco pode até mesmo ter sido trazido de fora para a ilha de Creta. Examinando a relação de tentativas na Wikipédia, vemos que o disco despertou a atenção dos "adeptos do fantástico", pois encontramos duas menções à mítica Atlântida:

Friedhelm Will, 2000 (interpretation as number-philosophically-document of "Atlantean" origin)
Axel Hausmann, 2002 (document from Atlantis, dated to 4400 B.C., logographic reading)

  Em 2014, dois acadêmicos (Dr. Gareth Owens e Dr. John Coleman) alegaram ter decifrado mais de 90% das inscrições, que formariam uma prece a uma deusa minóica (Referência [5]). No entanto, parece que o trabalho não teve boa acolhida no meio acadêmico, com base principalmente na escassez do material analisado (veja duas análises negativas na Referência [6]). Sendo assim, a não ser que sejam descobertos mais artefatos com esses símbolos, o mistério do Disco de Festos deverá continuar desafiando linguistas e arqueólogos.

. Referências

[1] Phaistos Disc (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Phaistos_Disc)

[2] The Curious Phaistos Disc – Ancient Mystery or Clever Hoax? (www.ancient-origins.net/unexplained-phenomena/curious-phaistos-disc-ancient-mystery-or-clever-hoax-002089)

[3] Phaistos Disk and its meaning: a new approach (www.proto-english.org/phaistos.pdf)

[4] Yves Duhoux, How Not to Decipher the Phaistos Disc: A Review (www.academia.edu/1577933/Yves_Duhoux_How_Not_to_Decipher_the_Phaistos_Disc_A_Review)

[5] Scientists Finally Crack The Code Of The Ancient 'Phaistos Disk' (www.huffpostbrasil.com/entry/ancient-cd-rom-phaistos-disk-code_n_6055178)

[6] Phaistos Disk Deciphered? Not Likely, Say Scholars (www.biblicalarchaeology.org/daily/archaeology-today/phaistos-disk-deciphered/)



Engrenagem de Alumínio de Vladivostok

Este seria um caso de "interpretação improvável"

  Eis como o “Sputinik News” (Referência [4], antiga “Voz da Rússia”) abriu a notícia sobre o objeto em 19/01/2013:

  “Ao acender o fogo durante um frio anoitecer, um residente de Vladivostok encontrou uma peça reta de metal que estava embutida em um dos pedaços de carvão que o homem usava para aquecer sua casa. Mesmerizado por sua descoberta, o responsável cidadão decidiu procurar ajuda de cientistas da região de Primorye. Depois de o objeto metálico ter sido estudado pelos principais especialistas, o homem ficou chocado ao ficar sabendo a idade presumida de sua descoberta. O objeto metálico tinha supostamente 300 milhões de anos e ainda, os cientistas sugerem que ele não é natural, mas ao invés disso, manufaturado por alguém. A questão de quem pode ter fabricado uma engrenagem de alumínio no alvorecer do tempo permanece não respondida.”

  O carvão teria vindo das minas Chernogorodskiy da região de Khakasia, cujos depósitos têm 300 milhões de anos, e deste modo é que o objeto foi datado. O artigo prossegue explicando que geologistas quebraram o pedaço de carvão e analisaram o objeto com uns 7 centímetros de comprimento, descobrindo que era composto por 98 por cento de alumínio e 2 por cento de magnésio. Como alumínio quase puro é raríssimo na natureza, e dado o formato de engrenagem com seis dentes iguais, só se poderia concluir que o objeto é artificial. A autoria do artigo é atribuída a Yulia Zamanskaya.

  O site " Before It’s News" noticiou em 19/01/2017 o achado, mas com um parágrafo adicional:

  “It is the first such finding in coal made in Russia, according to anomaly researcher and biologist Valery Brier, who took microscopic samples of the aluminum for testing.  Valery Brier performed X-ray diffraction analysis of the metal. It showed very pure aluminum with microimpurities of magnesium of only 2 – 4 percent.  Analysis was also conducted by Senior Fellow of the St. Petersburg Institute of Nuclear Physics Igor Okunev who confirmed the age of the material according to Natalia Ostrovsky.”

  No site existe um link associado ao nome “Natalia Ostrovsky”, mas não funciona.

  Os internautas já devem ter percebido várias coisas duvidosas nessa história:

- O site “Sputinik News” é sensacionalista, e a notícia se espalhou por sites e blogs conspiracionistas, de ovniologia e afins, mas foi ignorada pela mídia convencional e científica.

- Não há evidência de que TODO o carvão na casa veio das minas mencionadas.

- Não há evidência de que o objeto não foi inserido no carvão como algum tipo de brincadeira.

- A única foto disponível mostra um objeto claramente bem menor que 7 centímetros e com menos de seis dentes.

- Os especialistas não são nomeados no artigo original, e não foi apresentada qualquer documentação sobre os exames supostamente realizados.

  Diante de tudo isso só podemos concluir por um completo hoax, isto é, toda a história é inventada, ou uma “interpretação improvável”.

. Referências

[1] Come on, Russian media! A “UFO tooth-wheel”? Silly (doubtfulnews.com/2013/01/come-on-russian-media-a-ufo-tooth-wheel-silly/)

[2] Out of Place Artifacts (skeptoid.com/episodes/4403)

[3] 300-Million-Year-Old Tooth Wheel Found In Russian Coal: Scientists (www.huffpostbrasil.com/entry/300-million-year-old-tooth-gear_n_2527424)

[4] 300-million-year-old UFO tooth-wheel found in Russian city of Vladivostok (sputniknews.com/voiceofrussia/2013_01_19/300-million-year-old-UFO-tooth-wheel-found-in-Russian-city-of-Vladivostok/)



Estegossauro do Camboja

Dinossauro de Ta Prohm

Este seria um caso de "interpretação improvável"

  Esta é sem dúvida uma das “evidências” mais queridas dos criacionistas da Terra Jovem: o baixo relevo de um dinossauro em um templo cambojano do século XII! Falamos do templo de Ta Prohm (e aqui), e o animal, com base nas excrescências em suas costas, foi identificado como um estegossauro. Segundo a Referência [1], a escultura ficou conhecida a partir de 1997 e 1999, através de dois livros por Claude Jacques e Michael Freeman. A Referência [8] é um longo artigo em um site criacionista e nele é mencionado que os dois autores ficaram tão impressionados com a semelhança da escultura com um estegossauro que chegaram a afirmar que se tratava de uma representação do mesmo:

  “Intricately carved statues and stone columns fill the temple-monastery. On the stones, the ancients depicted animals, people, gods, various plants, and a host of other decorative images. But one column of carvings maintains a special interest to those interested in dinosaur/human coexistence. Concerning this particular column, Freeman and Jacques wrote: “On the angles and corners of the porch are numerous small scenes and representations of animals, both real and mythical” (p. 144). Of special note, the authors wrote about one of the carved animals, saying: “Among the vertical strip of roundels in the angle between the south wall of the porch and the east wall of the main body of the gopura there is even a very convincing representation of a stegosaur” (p. 144, emp. added). In their other book on Angkor, Jacques and Freeman were even more emphatic, saying that the animal “bears a striking resemblance to a stegosaurus” (1997, p. 213).”

  Como os estegossauros tinham cabeças pequenas, e a escultura mostra um animal com uma grande cabeça, essa interpretação logo parece forçada. E se olharmos o contexto das imagens (ver três exemplos abaixo), podemos perceber que as “excrescências” representam algum tipo de folhagem compondo o fundo do baixo relevo. Vários animais foram sugeridos como o modelo original: rinoceronte, búfalo, camaleão, e até o pangolim. A nosso ver, o que melhor se aproxima é mesmo o rinoceronte da Sumatra, com a cabeça mostrando a boca, uma narina, um olho, o pequeno chifre e a orelha.

  Já foi sugerido também que o baixo relevo pode ter sido alterado recentemente ou mesmo ser uma fraude total, mas achamos muito improvável essa hipótese.

  Então eis a que se resume a “importante evidência” dos criacionistas: a representação de algum animal contemporâneo em um baixo relevo, mais uma fortíssima dose de "wishful thinking".



. Referências

[1] Stegosaurus Carving on a Cambodian Temple? (www.paleo.cc/paluxy/stegosaur-claim.htm)

[2] Stegosaurus, Rhinoceros, or Hoax? (www.smithsonianmag.com/science-nature/stegosaurus-rhinoceros-or-hoax-40387948/)

[3] Ancient Aliens S04E10: Aliens and Dinosaurs (www.jasoncolavito.com/blog/ancient-aliens-s04e10-aliens-and-dinosaurs)

[4] Alleged Dinosaurs in Ancient Art (paleo.cc/ce/dino-art.htm)

[5] Ooparts: (Out of Place Artefacts) (www.ancient-wisdom.com/ooparts.htm)

[6] That is not a stegosaurus (alisonincambodia.wordpress.com/2014/10/14/that-is-not-a-stegosaurus/)

[7] Dinosaur (rationalwiki.org/wiki/Dinosaur)

[8] Physical Evidence for the Coexistence of Dinosaurs and Humans [Part I] (apologeticspress.org/apcontent.aspx?category=9&article=2416)



Fortes Vitrificados Escoceses

Este seria um caso de "interpretação improvável"

  Estes fortes são encontrados em sua maioria na Escócia (cerca de 60), mas alguns também se encontram espalhados pela Europa. A maioria foi construída no primeiro milênio a.C., os mais antigos datando de cerca de 700 a.C. Os muros eram construídos com pedras sem argamassa, e a vitrificação é bastante desigual nos vários fortes. Ela pode aparecer em grandes faixas cobrindo os muros, em pequenas áreas espalhadas pelos muros, ou mesmo em pequenos grupos de pedras. A temperatura necessária para vitrificar as pedras é da ordem de 1100° C.

Parte de um muro vitrificado em Sainte Suzanne (França)

Um bloco do muro circundante de Wincobank em Sheffield, Reino Unido. Essa peça mostra a característica típica onde material vitrificado de textura fina está soldado aos blocos maiores não alterados. Em detalhe, isso demonstra que os gradientes térmicos resultantes do aquecimento de blocos de tamanhos diferentes representam um importante papel na determinação de quais blocos fundem e soldam-se, e quais blocos não. (Crédito: Fabian Wadsworth)

  A data de construção dos fortes mais antigos se enquadra na Idade do Ferro, quando já se sabia fundir minério para obter o metal, de modo que a obtenção de temperaturas até uns 1300° C não eram estranhas à tecnologia da época. Estudos e até experimentos (Referência [7]) mostraram que amontoando combustível contra um muro de pedra e mantendo o fogo aceso durante o número certo de horas, é possível obter a temperatura necessária para a vitrificação.

  Embora os arqueólogos tenham uma boa idéia de COMO a coisa foi feita, existe um debate entre os especialistas sobre o PORQUÊ. Foram atacantes tentando rachar os muros com fogo, ou foram os construtores tentando unir mais solidamente as pedras através desse processo? Cada lado tem suas razões, e quem estiver interessado nos detalhes pode recorrer às referências abaixo (aliás, é uma leitura muito interessante). O que importa para o contexto deste site é que não há nada de inexplicável ou fantástico na existência dessas vitrificações em antigas muralhas.

  Naturalmente, esse tipo de explicação terra a terra não satisfaz a imaginação exuberante dos “adeptos do fantástico”, que sugerem bombas atômicas ou canhões de laser ou plasma (ver aqui, aqui e aqui)! Usar armas nucleares táticas contra fortificações tão primitivas não parece fazer qualquer sentido, isso sem falar que o próprio solo ao redor e dentro do forte também ficaria vitrificado. E a radioatividade residual seria notada até hoje. E por que usar canhões de laser ou plasma contra as muralhas? Simples granadas de morteiro lançadas dentro da área do forte eliminariam todos os defensores. A não ser que esses canhões estivessem instalados em aeronaves, que disparariam diretamente para dentro do forte, aniquilando tudo.

  Mas o uso de armas tão espantosas para a época não deixaria de ser lembrado pela tradição oral e escrita, o que não acontece, mas os “adeptos do fantástico” têm uma saída: a mitologia. Segundo eles, o uso dessas armas em eras antigas permaneceu lembrado nas lendas celtas sobre armas de deuses. Há uma falha neste raciocínio porque os seus proponentes não são especialistas em cultura celta. Será que as lendas surgiram depois do abandono dos fortes? Quando surgiram essas lendas? Mas eles adoram repisar esse argumento de que “lendas e mitos de todo o mundo falam de deuses usando armas fantásticas”. É um argumento que só pode impressionar quem não se aprofunda no assunto.

. Referências

[1] Vitrified fort (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Vitrified_fort)

[2] The Mystery of the Vitrified Forts (skeptoid.com/episodes/4326)

[3] Glass Castles & Fire from the Sky (www.robertschoch.com/articles/schochvitrificationnewdawnspecialissuesept2010.pdf)

[4] On the Vitrified Forts of Scotland (en.wikisource.org/wiki/Transactions_of_the_Geological_Society,_1st_series,_vol._2/On_the_Vitrified_Forts_of_Scotland)

[5] Uncovering the Secrets of Scotland’s Vitrified Forts (www.urbanghostsmedia.com/2015/03/uncovering-secrets-10-vitrified-forts-scotland/)

[6] Vitrification and thermal engineering in the British Iron Age (blogs.egu.eu/geolog/2016/05/25/great-walls-of-fire-vitrification-and-thermal-engineering-in-the-british-iron-age/)

[7] THE EXPERIMENTAL PRODUCTION OF THE PHENOMENA DISTINCTIVE OF VITRIFIED FORTS (archaeologydataservice.ac.uk/archiveDS/archiveDownload?t=arch-352-1/dissemination/pdf/vol_072/72_044_055.pdf)



Pedras (ou Discos) Dropa

Este seria um caso de "inteiramente fictício"

  Chu Pu Tai, um arqueólogo chinês, teria encontrado em 1938 os artefatos em cavernas na região de Bayan Kara Ula, na época um local muito isolado. As cavernas continham túmulos, e as paredes apresentavam desenhos de pessoas com crânios alongados. Os túmulos continham os restos de seres com pouco mais de um metro de altura. Ele encontrou também um disco de pedra com cerca de 30 centímetros de diâmetro, com um furo central. Um sulco na superfície espiralava a partir do centro até a borda, e depois voltava. Outros 716 discos teriam sido descobertos por expedições subsequentes.

  Os discos teriam sido enviados para vários acadêmicos, e um deles, Professor Tsum Um Nui da Academia para Estudos Antigos de Beijing (Pequim), anunciou que as espirais eram realmente uma linha de caracteres de uma linguagem desconhecida. Em 1962, ele declarou ter decifrado a escrita, que revelou o seguinte: uma espaçonave alienígena acidentou-se em Bayan Kara Ula doze mil anos atrás, e os ocupantes, chamados Dropa ou Dzopa, não a puderam reparar e tentaram se adaptar às condições da Terra. Mas o povo local, a tribo Ham, os hostilizou e matou a maioria deles. Os próprios Ham eram muito baixos, de modo que não é claro se os esqueletos encontrados eram deles, dos alienígenas ou de híbridos dos dois povos.

  Na Referência [8] há um comentário muito pertinente sobre a implausibilidade dessa tradução:

  “As antigas linguagens perdidas somente foram redescobertas porque sobreviveram em formas familiares aos cientistas. Mesmo em tais casos, decifrar e entender essas formas mais antigas e suas escritas tem usualmente levado décadas de trabalho por múltiplas equipes de lingüistas altamente competentes, e suas descobertas estão sendo constantemente debatidas e atualizadas. Muitas escritas antigas (especialmente a Linear A da Ilha de Creta e a Rongorongo da Ilha da Páscoa), têm desafiado a decifração precisamente porque elas não podem ser conectadas a qualquer linguagem conhecida. Portanto é altamente improvável que um único acadêmico chinês com nenhuma experiência conhecida em lingüística possa ter decifrado sozinho uma escrita alienígena ou linguagem em seu tempo livre!!”

  De fato, essa parte da história é extremamente ingênua, no entanto os “adeptos do fantástico” nunca enxergaram qualquer problema com a existência dessa “tradução” de uma linguagem extraterrestre. A idade de 12.000 anos que eles mencionam para os discos vem justamente dessa “tradução”. Na excelente obra “O Livro dos Códigos”, que recomendamos neste site, há um capítulo dedicado ao problema da decifração de escritas antigas.

  Continuando, a publicação dos resultados foi recebida com descrédito, e o desgostoso Professor demitiu-se da Academia de Beijing e foi para o Japão, onde morreu pouco depois.

  Todavia, cientistas russos se interessaram pelos discos e vários foram enviados a Moscou, onde análises químicas mostraram que os discos continham grandes quantidades de cobalto e outras substâncias metálicas.

  Em 1976, Ernst Wegener, um engenheiro austríaco localizou dois discos no Museu Banpo em Xi’an, Província de Shaanxi. O diretor do museu nada sabia sobre eles, mas permitiu que fossem fotografados (essa é a imagem que abre esse tópico). Ele alegou que na foto os caracteres não aparecem devido ao clarão do flash da máquina fotográfica. Por volta de 1994, os discos haviam desaparecido, e parece que o antigo curador também.

  Essa é a história das Pedras Dropa, sem os muitos acréscimos fantasiosos introduzidos pelos “adeptos do fantástico” (veja a Referência [9]). As referências mais completas, como a [3], ainda fornecem um histórico das publicações que inicialmente divulgaram a história das pedras. É provável que o assunto tenha se tornado mais conhecido aqui no Ocidente após sua publicação em língua inglesa no periódico sensacionalista russo Sputnik em 1967.

  Mas não há evidência da existência das pedras ou dos restos humanóides encontrados nas cavernas. Não há documentos ou publicações científicas sobre os estudos supostamente realizados. Até as pessoas envolvidas não podem ser localizadas; nas referências afirma-se que o nome “Tsum Um Nui” nem sequer é chinês, mas um nome japonês mal adaptado. E a Academia para Estudos Antigos de Beijing nem existiria.

  O que existe mesmo são as Pedras Bi, um tipo de artefato em jade que aparece até nos períodos mais antigos da história chinesa. É possível que o criador desse hoax tenha se inspirado nesses belos objetos. Eis aqui três deles:

  Mas a história das Pedras Dropa ainda tem um curioso desdobramento. Em 1978 foi publicado um livro intitulado “Sungods in exile: secrets of the Dzopa of Tibet”, atribuído a um tal Karyl Robin-Evans (1914-1974), professor de etnologia em Oxford. Seu secretário, David Agamon, teria reunido seus escritos e montado o livro, que narra a viagem de Robin-Evans ao Tibet, após ter visto um estranho disco com um professor polonês Sergei Lolladoff. O professor polonês teria comprado o disco tibetano ou nepalês logo após a 2ª Guerra Mundial na Estação de Mussoorie, Índia. Robin-Evans teria aprendido a língua do povo da região de Bayan Kara Ula, e assim pôde confirmar que os ETs Dzopa haviam se acidentado no Tibet em 1014 d.C. depois de uma missão exploratória 20.000 anos atrás. Eram originários de um planeta do sistema Sirius.

  O livro, no entanto é uma obra de ficção do autor David H. Gamon, que assim o declarou ao ufologista Patrick Gross, bem como ao Fortean Times em 1992. Karyl Robin-Evans e Sergei Lolladoff nunca existiram. Nas imagens abaixo, vê-se à direita o disco Lolladoff:

  O mais engraçado dessa barafunda de mentiras é que os “adeptos do fantástico” usam o livro do imaginário Robin-Evans como fonte independente para validar a história das Pedras Dropa! Um hoax validando o outro!

  Apesar de não haver qualquer evidência para apoiar a fábula das Pedras Dropa, temos certeza de que isso não desanimará os crentes. Justamente essa falta absoluta de evidências prova que a coisa é séria! Basta uma pequena teoria de conspiração: os governos da China e da Rússia meticulosamente fizeram desaparecer TODAS AS INFORMAÇÕES sobre as pedras, inclusive elas próprias! Devem estar atrás dos segredos escondidos naqueles 716 discos, talvez a antigravidade, talvez a energia de ponto zero, ou talvez o moto-contínuo, quem sabe?

  As Referências [10] e [11] são dois artigos do Sr. Philip Coppens, um representante bem conhecido dos “adeptos do fantástico”. No primeiro artigo (1995) ele sugere claramente um acobertamento por parte do governo chinês e toma como verdadeiro o conteúdo do livro de David H. Gamon. No segundo artigo (2008), que é uma revisão do assunto, ele já reconhece que o livro é um hoax. Nos dois artigos destacamos em vermelho alguns trechos.

  Para encerrar, transcrevemos o final irônico da Referência [6]:

  “Hoaxes and conspiracy theories are a dime a dozen. It takes a lot more guts to demand real evidence. And sometimes, it takes patience to wait for results. There’s nothing wrong with believing, but the evidence should justify your beliefs, not the other way around.

  If you still don’t believe me, then believe Dr. Karyl Robin-Evans. He called me recently from his satellite phone in Bhutan, where he just celebrated his 102nd birthday. The alien medicines have kept him alive all this time. After news about the Dzopa became public and people started to search for them, Robin-Evans and the tribe retreated to a hidden valley in Bhutan called Tsan-gri-la.

  And he told me to pass along something to skeptics everywhere: ‘Believe in the Donkey God. After all, the lord opened the mouth of Balaam’s talking ass in the Bible. And make sure you follow this guy’s blog on Steemit.’”

. Referências

[1] Dropa stones (Wikipedia) (en.wikipedia.org/wiki/Dropa_stones)

[2] The 10 Most Not-So-Puzzling Ancient Artifacts: The Dropa Stones (archyfantasies.com/2012/04/14/the-10-most-not-so-puzzling-ancient-artifacts-the-dropa-stones/)

[3] The Dropa (or Dzopa) stones (www.badarchaeology.com/out-of-place-artefacts/mysterious-objects/the-dropa-or-dzopa-stones/)

[4] Why are the “Dropa Stones” the most searched for subject on Bad Archaeology? (badarchaeology.wordpress.com/2011/10/16/why-are-the-dropa-stones-the-most-searched-for-subject-on-bad-archaeology/)

[5] More alien nonsense: the Lolladoff plate (badarchaeology.wordpress.com/2010/02/07/more-alien-nonsense-the-lolladoff-plate/)

[6] Sungods in Exile: Pseudo-Archaeology at its Finest (steemit.com/history/@donkeypong/sungods-in-exile-pseudo-archaeology-at-its-finest)

[7] Out of Place Artifacts (skeptoid.com/episodes/4403)

[8] Ancient artifacts & Modern hoaxes - A Comprehensive Study (hubpages.com/religion-philosophy/Ancient-artifacts-Modern-hoaxes-A-Comprehensive-Study)

[9] O Mistério Alienígena do Povo Dropa (http://www.sofadasala.com/extraterrestre/dropas00.htm)

[10] The Strange Stone Discs of Baian-Kara-Ula (philipcoppens.com/baian_kara_ula.html)

[11] The Dropa tribe and their stone discs revisited (philipcoppens.com/baian_kara_ula_upd.html)

No site em 06/07/2017

Atualizado em 20/07/2017



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