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991.   Iceberg Gigante Afinal Desprendeu-se da Placa de Gelo Larsen C


  Depois de meses de antecipação, um dos maiores icebergs jamais registrados finalmente separou-se da placa Larsen C no oeste da Antártida.

  O iceberg pesa surpreendentemente um trilhão de toneladas e tem uma área de 2.239 milhas quadradas (5.800 km²), o que o torna do tamanho aproximado de Delaware ou quatro vezes o tamanho de Londres.

  Descobriu-se que ele havia se separado da placa de gelo depois que cientistas examinaram os últimos dados de satélite da área.

  O processo, conhecido como “separação” (“calving” no original), ocorreu nos últimos poucos dias.

  A placa de gelo agora decresceu 10 por cento no tamanho, levando a fronteira do gelo à sua posição mais recuada jamais registrada.

  Se os glaciares contidos pelo iceberg agora se desmancharem no Oceano Antártico, isso poderia elevar o nível global da água em cerca de 10 centímetros (4 polegadas).

  O iceberg, que se espera ser chamado “A68”, foi avaliado como sendo um dos 10 maiores já registrados.

A NASA liberou esta imagem térmica do grande iceberg, que se separou da placa Larsen C. Cores mais escuras indicam temperaturas mais frias, e cores mais claras as mais quentes, de modo que a fenda entre o iceberg e a placa de gelo aparece como uma linha fina levemente mais quente. Imagem de 12/07/2017, do instrumento MODIS do satélite Aqua da NASA

  Em um comunicado, a Universidade Swansea disse: "A separação ocorreu em algum momento entre 10 de julho, segunda feira, e 12 de julho, quarta feira, quando uma seção com 5.800 quilômetros quadrados (2.200 milhas quadradas) da placa Larsen C finalmente separou-se.”

  Ao longo do inverno antártico, equipes de pesquisa, lideradas pela Universidade Swansea e incluindo pesquisadores da Pesquisa Britânica da Antártida (BAS), monitoraram o progresso de uma fenda de 170 km na placa de gelo usando os satélites Copernicus Sentinel-1 da Agência Espacial Européia.

  De acordo com Andrew Fleming, analista de sensoreamento remoto da BAS, as imagens de satélite têm sido críticas para o planejamento da pesquisa.

  Ele diz: “A história acaba de se tornar ainda mais interessante.”

  “Nossos glaciologistas estarão agora observando mais proximamente para ver se o resto da placa Larsen C se torna menos estável do que antes do iceberg se libertar, e nossos biologistas estarão ansiosos por entender como os novos habitats formados pela perda do gelo serão colonizados.”

  Icebergs surgem na Antártida o tempo todo, mas porque este é particularmente grande, seu caminho através do oceano precisa ser monitorado uma vez que ele poderia colocar em risco o tráfego marítimo.

Depois de meses de antecipação, um enorme iceberg com uma área de 2.239 milhas quadradas (5.800 km²) finalmente separou-se da placa Larsen C

  O cubo de gelo massivo flutuará na água e por si mesmo não aumentará os níveis dos mares quando derreter.

  Mas o perigo real está nos glaciares terrestres.

  Placas de gelo flutuam na água, estendendo-se a partir da costa, e são alimentadas a partir da terra por glaciares em movimento lento.

  Elas atuam como freios gigantes, prevenindo que glaciares deslizem diretamente para o mar.

  Se os glaciares contidos pela Larsen C agora se desmancharem no Oceano Antártico, isso poderia elevar o nível global da água em cerca de 10 centímetros (quatro polegadas), disseram os pesquisadores.

  O crescimento das rachaduras, dado o nosso conhecimento atual, não está ligado diretamente às mudanças climáticas.

  O Professor David Vaughan, glaciologista e Diretor de Ciência da Pesquisa Britânica da Antártida, disse “Há pouca dúvida de que as mudanças climáticas estão causando o desaparecimento de placas de gelo em algumas partes da Antártida neste momento.”

  “Vemos sinais óbvios de que o aquecimento do clima está provocando uma quebra na Antártida inteira.”

  “Entretanto, ao redor da Península Antártica, onde vimos várias décadas de aquecimento ao longo da última metade do século XX, temos visto essas placas de gelo colapsando e aumento da perda de gelo.”

  “Há outras partes da Antártida que estão perdendo gelo para os oceanos, mas essas são afetadas menos pelo aquecimento da atmosfera e mais por mudanças oceânicas.”

  “A Larsen C ela mesma pode ser um resultado de mudanças climáticas, mas, em outras placas de gelo vemos rachaduras se formando, as quais não acreditamos ter qualquer conexão com mudanças climáticas.”

  “Por exemplo, na placa de gelo Brunt onde a BAS tem a sua Estação Halley, onde essas rachaduras estão há um tipo muito diferente que não acreditamos ter qualquer conexão com mudanças climáticas.”

A NASA liberou esta imagem obtida hoje pelo seu satélite Suomi VIIRS, que confirma que o iceberg finalmente separou-se da placa de gelo. As linhas escuras mostram onde as rachaduras finalmente ocasionaram a separação, com o iceberg agora completamente formado no centro

  Dan McGrath, um glaciologista da Universidade Estadual do Colorado que tem estudado a placa de gelo Larsen C desde 2008, disse: “A Península Antártica tem sido um dos lugares com aquecimento mais rápido do planeta ao longo da última metade do século XX.”

  “Este aquecimento provocou realmente profundas mudanças climáticas, incluindo o colapso da Larsen A e B.”

  “Mas com o rompimento na Larsen C, não fizemos uma conexão direta com as mudanças climáticas.”

  “Ainda assim, há definitivamente mecanismos pelos quais esta fratura poderia ser ligada às mudanças climáticas, mais notavelmente através de águas oceânicas mais quentes corroendo a base da placa”, disse ele.

  O evento de separação tem oportunidades potenciais para novos estudos de oceano aberto e habitats no leito marinho.

  De acordo com especialistas, este evento de separação fornecerá oportunidades científicas únicas para o entendimento de como novas comunidades biológicas se desenvolvem e como novas espécies ocupam as áreas recém expostas.

  A Dra. Susie Grant, uma bio-geógrafa marinha na BAS, disse: “No encontro de 2016 da Comissão Para a Conservação dos Recursos de Vida Marinha da Antártida (CCAMLR) houve concordância internacional de que quaisquer áreas recém expostas do oceano em consequência do recuo ou colapso da placa de gelo deveriam ser automaticamente protegidas e designadas como uma Área Especial para Pesquisa Científica.”

Imagem da NASA mostra a longa fratura na placa de gelo Larsen C. Dados de 6 de julho revelaram que, em uma liberação de tensões aumentadas, a fissura se ramificou várias vezes

Glaciares deslizam da terra para o oceano com suas bordas frontais flutuando. Conforme a atmosfera aquece, mais água se acumula na superfície do gelo enquanto água tépida enfraquece o gelo por baixo

  O Dr. Trathan, chefe da Biologia de Conservação na BAS disse: “Para isso acontecer o novo ambiente deve atender os critérios específicos acordados pela CCAMLR.”

  “Se indicado, isso restringiria atividades comerciais de pesca e forneceria uma oportunidade valiosa para estudar os novos habitats criados, incluindo como as espécies colonizam a área e novas comunidades se desenvolvem.”

  Comentando o evento da separação, Rod Downie, Chefe dos Programas Polares do WWF (World Wide Fund for Nature), disse: “A simples escala deste evento natural de separação é impressionante – precisamos redesenhar o mapa da Península Antártica.”

  “E embora isto seja a Antártida fazendo o que a Antártida faz, isso demonstra exatamente quão frágeis as regiões polares são. E as regiões polares controlam nossos oceanos e a atmosfera.”

  “Mas o oeste da Antártida tem experimentado algumas das mais rápidas taxas de aquecimento do planeta em décadas recentes, e isso não é boa notícia para espécies icônicas tais como os pinguins de Adélia ou os pinguins imperador.

  “Isto demonstra porque precisamos urgentemente e globalmente golpear as mudanças climáticas na cabeça, começando no Reino Unido com o governo delineando como planejamos atender nossos compromissos internacionais para reduzir as emissões de carbono.”

O Espectroradiômetro de Imagens de Resolução Moderada (MODIS) no satélite Aqua da NASA capturou esta imagem do novo iceberg (centro) em 12/07/2017

  Especialistas também predizem que juntamente com o novo iceberg, vários icebergs menores poderiam separar-se da placa de gelo.

  Dados de 6 de julho revelaram que, em uma liberação de tensões aumentadas, a fissura se ramificou várias vezes.

  Em um blog, um porta-voz do Projeto MIDAS, que está monitorando a placa de gelo, disse: “Usando dados dos satélites Sentinel-1 da ESA, podemos ver que há múltiplas indicações de fissuras dentro do limite de 5 km da borda do gelo.”

  “Esperamos que essas fissuras levem à formação de vários icebergs menores, tanto quanto o grande iceberg que estimamos terá uma área de 5.800 km².”

  O Professor Adrian Luckman da Universidade Swansea, pesquisador chefe do Projeto MIDAS, disse: “Temos antecipado esse evento por meses, e estivemos surpresos por quanto tempo levou para a fissura romper os poucos quilômetros finais de gelo.”

Imagem de satélite captada pela banda dia-noite (DNB) do Conjunto Radiômetro de Imagens com Luz Visível e Infravermelha (VIIRS) no satélite Suomi NPP mostra o novo iceberg que se separou da placa de gelo Larsen C

  “Continuaremos a monitorar o impacto deste evento de separação na placa de gelo Larsen C, e o destino deste imenso iceberg.”

  “O iceberg é um dos maiores registrados e sua progressão futura é difícil de prever.”

  “Ele pode permanecer como uma só peça mas é mais provável que se parta em vários pedaços.”

  “Parte do gelo pode permanecer na área por décadas, enquanto partes do iceberg podem derivar para o norte em águas mais quentes.”

  “Nos meses e anos seguintes, a placa de gelo poderia se recompor gradualmente, ou poderia sofrer seguidos eventos de separação que podem eventualmente levar ao colapso – as opiniões da comunidade científica estão divididas.”

  “Nossos modelos dizem que ela será menos estável, mas qualquer futuro colapso permanece anos ou décadas distante.”

  Em uma parte rasa do leito marinho sob a placa de gelo, uma saliência do leito marinho, chamada Elevação de Gelo Bawden, serviu como um ponto de ancoragem para a placa flutuante por muitas décadas.

  Ultimamente, a fissura parou perto de se separar da elevação.

  Chris Shuman, um glaciologista da Universidade de Maryland no município de Baltimore, acrescentou: “Os 90 por cento restantes da placa de gelo continuam a ser mantidos no lugar por dois pontos salientes: a Elevação de Gelo Bawden ao norte da fissura e a Elevação de Gelo Gipps ao sul.”

  “Então eu realmente não vejo qualquer sinal de curto prazo de que este evento de separação está levando ao colapso da placa de gelo Larsen C.”

  “Mas estaremos observando de perto por sinais de mais mudanças na área.”

Fonte : Daily Mail, 13/07/2017

Autor : Shivali Best



Veja também:

Giant cracks are still spreading in an Antarctic ice shelf where a trillion ton iceberg broke free (Daily Mail, 02/08/2017)

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