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993.   Porque o Concreto Romano Ainda Permanece Forte Enquanto a Versão Moderna Decai


  Suas estruturas ainda permanecem de pé mais de 1.500 anos depois que o último centurião passou por ali: agora o segredo do durável concreto marinho dos romanos foi finalmente quebrado.

  A receita romana – uma mistura de cinza vulcânica, cal (óxido de cálcio), água do mar e cascalho de rocha vulcânica – mantém inteiros cais, quebra-mares e portos. Além disso, em contraste com materiais modernos, as antigas estruturas com fundações marinhas se tornam mais fortes com o tempo.

  Cientistas dizem que isso é resultado da água do mar reagindo com o material vulcânico no cimento e criando novos minerais que reforçam o concreto.

  “Eles gastaram uma tremenda quantidade de trabalho desenvolvendo isso – eles eram pessoas muito, muito inteligentes”, disse Marie Jackson, uma geóloga da Universidade de Utah e co-autora de um estudo sobre estruturas romanas.

  Como notam os autores, os romanos estavam cientes das virtudes do seu concreto, com a poesia enaltecedora de Plínio o Velho em sua História Natural afirmando que ele é “impenetrável às vagas e a cada dia mais forte”.

  Agora, dizem eles, descobriram por que. Escrevendo no periódico American Mineralogist, Jackson e colegas descrevem como eles analisaram núcleos de concreto de cais, quebra-mares e portos romanos.

Cais de Portus Cosanus, Orbetello, Itália

  Trabalho anterior revelara partículas de cal no interior dos núcleos que, surpreendentemente continham o mineral aluminoso tobermorita - uma substância rara que é difícil de fabricar.

  O mineral, disse Jackson, formou-se cedo na história do concreto, quando a cal, água do mar e cinza vulcânica da argamassa reagiram juntas de um modo que gerou calor.

  Mas agora Jackson e a equipe fizeram outra descoberta: “Voltei ao concreto e descobri abundância de tobermorita crescendo através da estrutura do concreto, frequentemente em associação com phillipsita", disse ela.

  Ela disse que isso revelou outro processo que também estava atuando. Ao longo do tempo, água do mar infiltrando-se através do concreto dissolveu os cristais e vidros vulcânicos, com tobermorita e phillipsita aluminosos cristalizando-se em seu lugar.

  Esses minerais, dizem os autores, ajudaram a reforçar o concreto, impedindo fissuras de crescer, com as estruturas se tornando mais fortes ao longo do tempo conforme os minerais cresciam.

  Em contraste, o concreto moderno, baseado em cimento de Portland, não é suposto mudar após a solidificação – significando que quaisquer reações com o material causam dano.

  Jackson disse: “Penso que a pesquisa abre uma perspectiva completamente nova sobre como o concreto pode ser feito – que aquilo que consideramos processos de corrosão podem realmente produzir uma consolidação mineral extremamente benéfica e levar a uma resiliência continuada, de fato, talvez aumentando a resiliência ao longo do tempo.”

  As descobertas oferecem pistas para uma receita de concreto que não repousa na produção de altas temperaturas e dióxido de carbono do cimento moderno, mas também fornecem um esquema para um material durável de construção para uso em ambientes marinhos. Jackson havia anteriormente proposto que o concreto romano deveria ser usado para construir o quebra-mar da Lagoa Swansea.

  “Há muitas aplicações, mas trabalho posterior é necessário para criar essas misturas. Nós começamos, mas há um monte de ajustes finos que precisam acontecer”, disse Jackson. “O desafio é desenvolver métodos que usem produtos vulcânicos comuns – e é isso realmente o que estamos fazendo agora mesmo.”

Fonte : The Guardian, 04/07/2017

Autor : Nicola Davis

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